No palco da vida, a dança transcende barreiras físicas e emocionais. Para quatro artistas de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, ela é mais que uma paixão: é uma forma de superar desafios, desafiar estereótipos e redefinir os limites do que é possível.
No Dia Internacional da Dança, celebrado na última segunda-feira (29), conta a história de resiliência desses talentos, unidos pela arte, que mudam a narrativa sobre o que significa dançar com deficiência, a partir das diferentes habilidades e capacidades.
Laura Alves de Souza, de 35 anos, Thamires de Jesus Sousa, de 26, e Marlei Luiz, de 57, fazem aulas no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, em Rio Preto, com o professor de dança e educador físico José Augusto Rodrigues, conhecido como Guto, de 50.
Alguns dos pacientes de Guto nasceram com deficiências físicas. Outros as adquiriram como sequelas de problemas de saúde congênitos. Mas todos encontraram na dança uma maneira de se expressar livremente, desafiando as limitações.
O grupo se apresentou no sábado (27), no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, em um espetáculo que celebrou a diversidade. O intuito da mostra é apresentar que as diferenças devem ser vistas como fonte força e inspiração.
Aos 23 anos, Laura treinava na academia quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. A jovem foi hospitalizada e permaneceu internada em coma por dois meses. Quando recebeu alta médica, a vendedora descobriu que, dali para frente, sua vida não seria mais a mesma.
A jovem perdeu o movimento no braço esquerdo e precisou da ajuda da cadeira de rodas para se locomover, por dois anos. Nesse período, durante uma consulta com a fonoaudióloga, Laura foi orientada a procurar por aulas de dança no Lucy Montoro.
No primeiro contato, amor à primeira vista: Laura nunca mais deixou de frequentar as aulas de Guto, já que, segundo ela, descobriu ali o poder da dança.
“Ela mostrou para mim que, apesar da minha deficiência, minhas sequelas, as quais eu tinha vergonha, que é possível. Me senti mais aceita, inclusa, tem sido bom para se socializar com outras pessoas”, reforça a jovem.
Laura relatou que a dança também fez a diferença na evolução clínica. A vendedora perdeu parte da função em um dos rins e, por isso, precisa fazer hemodiálise três vezes na semana. Contudo, pediu que recebesse alta do médico para que pudesse se apresentar no sábado.