Polícia Rio Preto
Casal vai a júri popular acusado de assassinar personal trainer em Rio Preto
Joel e Sidileide Santos respondem por homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio contra vizinho; crime chocou a cidade em 2020
30/09/2025 14h15
Por: Murilo Ferreira Fonte: Da redação

O casal Joel Fernandes Santos e Sidileide Normanha da Paixão Santos será julgado por júri popular nesta terça-feira (30), em São José do Rio Preto (SP), sob a acusação de ter assassinado brutalmente a personal trainer Andressa Serantoni Zacaron, em agosto de 2020.

A vítima, que tinha 29 anos, foi morta com mais de 30 golpes de faca, atingindo pescoço, tórax, coxas, braços e mãos. O Ministério Público denunciou o casal por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, emprego de crueldade e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, os réus também respondem por tentativa de homicídio contra um vizinho que tentou socorrer Andressa durante o ataque.

Crime motivado por filmagem indevida

De acordo com a denúncia, Andressa estava na casa da mãe, alimentando o cachorro, quando percebeu que Sidileide filmava vizinhos sem autorização. Ao ser questionada, a ré teria agarrado a vítima e ordenado que o marido fosse buscar uma faca. Joel retornou com duas armas brancas, entregou uma à esposa e, juntos, desferiram os golpes fatais.

Um vizinho que tentou intervir também foi esfaqueado pelo casal, mas sobreviveu. A Polícia Militar conseguiu prender os dois em flagrante após invadir a residência, onde o crime ocorreu.

Laudos psiquiátricos complicam o julgamento

O processo apresenta nuances complexas devido à saúde mental dos réus. Sidileide foi diagnosticada com transtorno delirante orgânico e transtorno psicótico, sendo considerada inimputável pela perícia — ou seja, incapaz de responder criminalmente por seus atos. O laudo recomenda internação e tratamento psiquiátrico compulsório.

Joel foi diagnosticado com Folie à Deux, também conhecido como transtorno delirante induzido, condição na qual o indivíduo compartilha delírios psicóticos apenas na presença da pessoa dominante. Apesar disso, os peritos concluíram que ele tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de suas ações.

O juiz Luis Guilherme Pião decidiu manter o julgamento pelo Tribunal do Júri, afirmando que existem elementos suficientes, incluindo provas materiais e confissão, para que a sociedade decida o destino do casal. O caso mobiliza a opinião pública de Rio Preto desde o crime, pela crueldade e repercussão.