As chamadas Terras Raras — um grupo de 17 elementos químicos — têm presença cada vez mais estratégica na economia global. Para serem minerados e extraídos, exigem processos complexos e rigoroso controle ambiental. A relevância desses minérios vai além da ciência: eles são fundamentais na produção de tecnologias avançadas, presentes em baterias, catalisadores automotivos, lâmpadas, LEDs, displays de alta definição, além de ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, veículos elétricos e discos rígidos, entre outros equipamentos.
O Brasil, por sua vez, está no centro desse tema por possuir a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda enfrenta o desafio de desenvolver uma cadeia produtiva completa. Atualmente, o país iniciou a exportação de concentrados e vem investindo em novas tecnologias de beneficiamento mineral, sem, contudo, capturar o valor industrial agregado.
Nesta semana, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), deu um passo importante para a mudança desse cenário, com o lançamento e o recebimento dos primeiros equipamentos da futura Planta de Processamento de Terras-Raras e Minerais Críticos.
O diretor-presidente do IPT, Anderson Correia contextualiza o potencial que as novas instalações podem alcançar. “Com tecnologia adequada para processamento e separação dos minerais de terras raras poderemos alavancar, em um futuro não muito distante, negócios da ordem de vários bilhões de dólares. O Brasil tem casos bem-sucedidos como o petróleo do pré-sal e o etanol veicular”, explica.
A planta irá complementar a infraestrutura já existente no IPT para produção de ligas, pós metálicos e proteção contra corrosão. Ela permitirá a simulação, testes e validação de rotas tecnológicas para separação e purificação desses elementos, reduzindo a dependência de fornecedores externos e fortalecendo a autonomia tecnológica do país.
Com o objetivo de ampliar a disseminação e a popularização do tema, o IPT também lançou o e-book “Terras Raras”, que explica de forma didática a importância tecnológica e econômica destes e de outros minerais críticos. O material ainda apresenta o contexto da atuação já desenvolvida pelo Instituto. O conteúdo pode ser acessado em: conteudo.ipt.br/planta-de-processamento-de-terras-raras-e-minerais-criticos .
“O IPT, ao longo de seus 126 anos, tem estado sempre na vanguarda e, a cada desafio ou crise, se renova. Além disso, antecipa-se às demandas que a sociedade virá a necessitar no futuro”, afirma o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan.
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