Uma jovem de 23 anos, com austismo, procurou a Polícia Civil para denunciar agressões físicas e ameaças que teria sofrido durante uma suposta cerimônia espiritual realizada na madrugada de domingo (7/12), em uma chácara localizada às margens da Rodovia Assis Chateaubriand, em Guapiaçu.
Segundo o boletim de ocorrência, a vítima contou que comunicou previamente aos responsáveis pelo espaço religioso sobre a possibilidade de precisar usar recursos de autorregulação sensorial, como fones de ouvido, durante a ritualística. Segundo ela, a utilização desses mecanismos teria sido autorizada antes do início da cerimônia.
Conforme o relato, por volta da 0h20, após o encerramento da prática espiritual, a jovem passou por um episódio de desregulação sensorial e buscou um local próximo para se recompor. Ela teria se sentado perto de um objeto conhecido como “tronqueira”, pertencente à dirigente do local, o que teria causado reação hostil por parte da responsável.
Ainda de acordo com o registro policial, a dirigente teria apontado o dedo no rosto da jovem, dirigido ofensas verbais e tentado retirá-la à força do local. Em seguida, outras pessoas teriam se juntado à ação, empurrando-a, desferindo chutes e realizando movimentos bruscos, além de tentarem arrancar seus fones de ouvido. Segundo o relato, frases ameaçadoras como “se não for por bem, vai ser pela força” teriam sido ditas durante a confusão.
A vítima afirmou também que várias pessoas formaram um círculo ao seu redor, o que teria intensificado a sensação de medo e vulnerabilidade. Em razão da crise sensorial, ela disse que não conseguia se levantar sozinha no momento das agressões.
Após conseguir se afastar para outro ponto da chácara, a jovem relatou ainda ter se sentido ameaçada por cerca de 30 pessoas que estavam no ambiente. Ela destacou à polícia que não havia sido informada previamente sobre qualquer regra que proibisse sentar-se no local onde ocorreu o episódio.
O caso será apurado pela Polícia Civil.