A associação de insumos microbiológicos ao manejo com inseticidas químicos pode reduzir em até 58,8% os danos causados por pragas no milho e gerar incremento de produtividade de até 24,2 sacas por hectare, segundo avaliação divulgada pela Cogny e repercutida pela Revista Cultivar. O dado foi apresentado com base em ensaio conduzido na safra 2023/24, em Guarapuava (PR).
A informação ganha relevância em um momento de forte pressão fitossanitária sobre a cultura no Brasil. Entre as principais ameaças ao milho estão a cigarrinha-do-milho, vetor dos enfezamentos, a lagarta-do-cartucho e o percevejo barriga-verde, pragas que vêm exigindo do produtor estratégias cada vez mais técnicas, rápidas e integradas no campo.
No caso da cigarrinha-do-milho, o impacto é especialmente preocupante. Levantamento divulgado pela CNA, com participação da Embrapa e da Epagri, estimou prejuízo de US$ 25,8 bilhões entre as safras 2020/2021 e 2023/2024, com redução média de 22,7% na produção nacional de milho no período.
A Embrapa alerta que o problema da cigarrinha vai além da sucção da seiva. O maior risco está na transmissão de molicutes e vírus ligados aos enfezamentos, que comprometem o enchimento de espigas, o desenvolvimento das plantas e a produtividade da lavoura. Em materiais suscetíveis, as perdas podem chegar a até 70%.
Já a lagarta-do-cartucho segue como uma das pragas mais agressivas da cultura. Dados técnicos da Embrapa apontam que a redução de produtividade pode atingir até 60%, dependendo da cultivar e do momento do ataque. Em estudos sem ação de controle biológico natural, as perdas no rendimento de grãos superaram 54%.
Diante desse cenário, o avanço dos bioinsumos passa a ser visto menos como tendência e mais como necessidade estratégica. A lógica é complementar, e não substituir automaticamente, o controle químico. O objetivo é ampliar a eficiência do manejo, reduzir pressão de resistência das pragas e construir um sistema mais sustentável e equilibrado dentro do conceito de manejo integrado. Essa linha está em sintonia com as recomendações técnicas de monitoramento e manejo integrado defendidas por instituições como Embrapa e CNA.
Para o produtor, a mensagem é clara: depender exclusivamente de inseticidas químicos já não parece suficiente diante do nível de desafio imposto pelas principais pragas do milho. O caminho, cada vez mais, passa pela combinação de ferramentas, pela tomada de decisão baseada em monitoramento e pela adoção de tecnologias capazes de proteger produtividade e rentabilidade na lavoura.