A Prefeitura de Indiaporã decidiu anular o resultado do concurso de escolha da Rainha e do Garoto Country 2026, realizado no último dia 4 de abril, após a identificação de irregularidades que colocaram em dúvida a legitimidade do processo.
A decisão, publicada no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (16), revela que as inconsistências vão além de um simples erro técnico e levantam questionamentos sobre a condução do julgamento.
Inicialmente tratadas como possíveis divergências numéricas, as inconsistências identificadas na apuração chamaram a atenção da comissão responsável. No entanto, à medida que a análise avançou, surgiram indícios mais preocupantes.
De acordo com o parecer jurídico, foram constatadas circunstâncias relevantes que comprometem diretamente a lisura do certame, como:
• interação indevida entre jurados durante o processo de avaliação;
• circulação e manipulação de documentos fora da mesa julgadora;
• retirada de fichas de avaliação sem controle coletivo;
• e até mesmo a interferência de terceiros alheios ao procedimento oficial.
Esses elementos, somados às divergências entre os resultados anunciados e as fichas originais, configuram um cenário que ultrapassa falhas operacionais e compromete a credibilidade do concurso.
Segundo a decisão administrativa, trata-se de um “vício substancial”, o que inviabiliza qualquer tentativa de correção simples ou validação do resultado anteriormente divulgado.
Diante da gravidade dos fatos, a Prefeitura determinou a nulidade do resultado oficial do concurso e estabeleceu uma série de medidas imediatas:
• invalidação do resultado anteriormente publicado;
• reclassificação dos candidatos com base nas fichas consideradas válidas;
• divulgação de um novo resultado oficial pelos canais institucionais.
A administração municipal também anunciou que irá reforçar os protocolos de controle, conferência e validação em eventos futuros, buscando evitar a repetição de situações semelhantes.
Outro ponto que chama atenção é o encaminhamento do caso ao Ministério Público e à autoridade policial.
A medida abre caminho para uma possível investigação mais aprofundada sobre responsabilidades, especialmente diante dos indícios de interferência externa no processo, um fator que pode ampliar significativamente os desdobramentos do caso.
Ao justificar a decisão, a administração municipal destacou que a anulação é necessária para preservar a confiança da população e assegurar o cumprimento dos princípios da legalidade, moralidade e eficiência na gestão pública.
A decisão foi assinada pela prefeita Bernadete Sponquiado e já está em vigor.