O mercado de marmitas segue em expansão no Estado de São Paulo e tem atraído cada vez mais pessoas em busca de autonomia financeira e geração de renda. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae-SP revela que o investimento médio para iniciar um negócio de fornecimento de refeições preparadas para consumo domiciliar é de aproximadamente R$ 3 mil. Atualmente, o estado conta com 91.587 Microempreendedores Individuais (MEIs) formalizados na atividade, que representam 76% dos pequenos negócios do segmento. Na região de Votuporanga, são 634 MEIs registrados na atividade.
O levantamento mostra que a maioria dos empreendedores do setor é formada por mulheres (71,3%), que antes trabalhavam com carteira assinada (60%). Entre as principais motivações para abrir o negócio estão a busca por autonomia e independência (25%), a complementação da renda (20%) e a transformação de uma habilidade culinária em fonte de renda (18%).
Segundo o consultor de negócios do Sebrae-SP, Pedro Gonçalves, a facilidade para iniciar a atividade explica parte do crescimento do segmento, mas o sucesso do negócio depende de uma gestão eficiente.
"O baixo investimento inicial permite que muitas pessoas comecem produzindo na própria cozinha de casa, utilizando equipamentos que já possuem. No entanto, o mercado é bastante competitivo e exige atenção à gestão financeira, à formação do preço de venda e ao controle dos custos para que o negócio seja sustentável e lucrativo", afirma.
A pesquisa aponta que o faturamento médio mensal dos MEIs do setor é de R$ 4.191. A maior parte produz entre 151 e 300 marmitas por mês (36%), enquanto 29% comercializam entre 51 e 100 unidades mensais. Para 65% dos empreendedores, o preço das refeições varia entre R$ 21 e R$ 30.
Os dados também indicam que o controle de custos é o principal desafio enfrentado pelos empreendedores (42%), seguido pela concorrência (38%) e pela logística de entrega (29%).
Embora as marmitas tradicionais representem a maior parcela da oferta (57%), o mercado vem ampliando o cardápio para atender diferentes perfis de consumidores, com opções saudáveis, vegetarianas, veganas, congeladas, sopas, refeições low carb e preparações sem glúten, lactose ou açúcar.
Na comercialização, o WhatsApp é o principal canal de vendas, utilizado por 79% dos entrevistados. As redes sociais aparecem em seguida, com 59%, enquanto 52% também utilizam aplicativos de entrega para alcançar os consumidores.
Sustentabilidade ganha espaço
A pesquisa também investigou o conhecimento dos empreendedores sobre práticas de ESG, sigla que reúne critérios ambientais, sociais e de governança. Embora 34% dos entrevistados afirmem não conhecer o conceito, diversas práticas sustentáveis já fazem parte da rotina dos negócios.
Entre elas, destacam-se a redução do desperdício de alimentos (61%), a separação e destinação correta dos resíduos (55%), a compra de insumos de produtores locais (30%) e o uso de embalagens biodegradáveis ou recicláveis (26%).
Metodologia
A pesquisa "Perfil e desafios dos negócios de marmitas" foi realizada pelo Instituto Consulting, por meio de questionário enviado por e-mail entre os dias 18 e 31 de maio de 2026. Foram ouvidos 1.080 Microempreendedores Individuais que atuam na atividade de fornecimento de alimentos preparados preponderantemente para consumo domiciliar (CNAE 5620-1/04), que abrange a preparação de refeições e pratos cozidos, inclusive congelados, entregues ou servidos em domicílio.
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