A vice-prefeita de Meridiano, Juliana Lima de Miranda, relatou à Justiça ter sido alvo de uma possível pressão política durante uma reunião realizada no Fórum da Comarca de Fernandópolis. Segundo o depoimento apresentado no processo, ela teria recebido uma proposta para solicitar licença-maternidade e permanecer afastada do cargo por seis meses.
O episódio teria ocorrido em meio às discussões políticas envolvendo o prefeito de Meridiano, Fábio Pascholinoto, e uma possível cassação do chefe do Executivo. Conforme o relato apresentado à Justiça, a articulação também teria como objetivo retirar Juliana da cena política e permitir que o então presidente da Câmara Municipal, Lindinho, assumisse o comando da Prefeitura.
Convocação ao Fórum
De acordo com o depoimento, Juliana recebeu uma ligação no dia 20 de julho e foi chamada ao Fórum de Fernandópolis para tratar de um processo. No dia seguinte, segundo sua versão, ela foi encaminhada para uma sala da OAB, onde estariam um servidor identificado como Lucas e a procuradora municipal Graziela.
Ainda conforme o relato, durante a conversa teria sido apresentada a possibilidade de que a vice-prefeita solicitasse licença-maternidade e se afastasse do cargo pelo período de seis meses.
Juliana afirmou que a proposta estaria relacionada às articulações políticas em torno da situação do prefeito Fábio Pascholinoto. Segundo ela, a estratégia envolveria também seu afastamento para abrir caminho para que o presidente da Câmara, Lindinho, assumisse a Prefeitura.
A vice-prefeita relatou ainda que teria sido alertada sobre possíveis consequências caso não aceitasse a proposta, entre elas uma eventual inelegibilidade. Ela também afirmou ter sofrido pressão para assinar e protocolar um requerimento na Câmara Municipal.
Conversa teria sido gravada
Dias depois, segundo o depoimento, ocorreu uma segunda reunião no escritório do marido de Juliana. Ela afirmou ter gravado a conversa em áudio.
Os documentos, imagens e arquivos de áudio relacionados aos encontros teriam sido entregues à Justiça para análise.
O caso ganhou novos elementos após o depoimento do estagiário Antônio Arouca Pereira. Segundo as informações apresentadas no processo, ele afirmou que Lucas teria solicitado que telefonasse para Juliana e a convidasse a comparecer ao Fórum.
O estagiário teria relatado ainda que recebeu orientação para não informar à vice-prefeita que o convite havia partido de Lucas. Mensagens e áudios relacionados à conversa também teriam sido apresentados como elementos do procedimento.
Justiça determina novas diligências
Nesta quinta-feira (13), a Justiça determinou novas diligências para esclarecer as circunstâncias envolvendo a ligação e a presença de Juliana no Fórum.
Entre as providências está a determinação para que o Fórum informe se o telefone utilizado na ligação para a vice-prefeita pertencia ao Tribunal de Justiça. A Justiça também determinou a identificação dos seguranças e policiais que estavam no local no dia 21 de julho.
A intenção é verificar se esses profissionais receberam Juliana no Fórum e quem teria solicitado que ela fosse encaminhada para a sala da OAB.
O caso tramita como Pedido de Providências, sob o processo nº 0002272-74.2026.8.26.0189.
Apuração ainda está em andamento
Os fatos relatados fazem parte de depoimentos e informações apresentadas no âmbito do procedimento judicial. A determinação de novas diligências demonstra que a Justiça ainda busca reunir elementos para esclarecer o que efetivamente ocorreu.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos. As informações sobre a suposta articulação política e a pressão relatada pela vice-prefeita permanecem sob apuração.
O Jornal do Interior acompanhará o andamento do procedimento e novas manifestações oficiais relacionadas ao caso.