Economia S.J.Rio Preto
Déficit comercial de Rio Preto cresce 68,1% em julho
Exportações recuaram 47,2% na comparação com julho de 2025, enquanto importações tiveram alta de 2,2%
14/08/2026 13h41
Por: Luiz Peniza | Estagiário Fonte: Da redação

Rio Preto encerrou julho com déficit de US$ 8,92 milhões na balança comercial, resultado 68,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O resultado foi influenciado principalmente pela queda nas exportações do município.

As empresas de Rio Preto exportaram US$ 3,75 milhões em julho deste ano, ante US$ 7,10 milhões no mesmo período de 2025, uma retração de 47,2%. Já as importações passaram de US$ 12,40 milhões para US$ 12,67 milhões, alta de 2,2%.

Com isso, a diferença entre o valor das compras e das vendas do município no exterior aumentou de US$ 5,30 milhões, em julho de 2025, para US$ 8,92 milhões neste ano.

Para o despachante aduaneiro Márcio Marcassa Jr., da Rio Port, de Rio Preto, o resultado mensal deve ser analisado considerando o perfil das operações realizadas pelas empresas do município. Segundo ele, em cidades com menor volume de comércio exterior, operações pontuais de maior valor podem provocar variações expressivas entre meses ou anos.

“Quando olhamos a balança comercial de um município, algumas operações específicas podem ter um peso muito grande no resultado daquele mês. Por isso, uma queda expressiva não significa necessariamente uma perda permanente de mercado. É preciso observar quais produtos deixaram de ser embarcados, quais destinos tiveram redução e acompanhar o comportamento ao longo dos próximos meses”, afirma Marcassa Jr.

Os dados de julho mostram que a redução das exportações não ficou concentrada em um único mercado. Parte da diferença está relacionada a operações relevantes realizadas no mesmo período do ano passado que não se repetiram neste ano.

Mianmar, por exemplo, comprou US$ 1,54 milhão em produtos de Rio Preto em julho de 2025 e não aparece entre os destinos das exportações neste ano. As vendas para o Chile caíram de US$ 1,13 milhão para US$ 443,6 mil, enquanto as destinadas aos Estados Unidos passaram de US$ 1,85 milhão para US$ 1,09 milhão.

Mesmo com a redução, os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos produtos rio-pretenses em julho. Na sequência aparecem Chile, com US$ 443,6 mil; Bolívia, com US$ 393,3 mil; Países Baixos, com US$ 267,2 mil; Paraguai, com US$ 241,7 mil; e Argentina, com US$ 240,6 mil.

Nem todos os mercados registraram queda. As vendas para países europeus somaram aproximadamente US$ 816 mil, ante US$ 630 mil em julho de 2025, crescimento de 29,5%.

Marcassa Jr. avalia que a presença de diferentes destinos é importante para reduzir a dependência de mercados específicos.

“A diversificação é importante para qualquer empresa que atua no comércio exterior. Quando há redução de demanda em determinado país, outros mercados podem compensar parte desse movimento. Essa busca por novos destinos precisa ser permanente”, diz.

Produtos exportados

A mudança também aparece na pauta de produtos exportados. Em julho de 2025, as vendas de miudezas comestíveis de animais chegaram a US$ 1,79 milhão. Neste ano, não houve operação registrada nessa categoria.

Também houve redução nas vendas de preparações capilares, que passaram de US$ 623,6 mil para US$ 15,4 mil, e de reboques e semirreboques, de US$ 823,3 mil para US$ 370,9 mil.

Entre os principais grupos exportados em julho deste ano estão produtos de origem animal, com US$ 813,5 mil; preparações alimentícias, com US$ 529,4 mil; carrocerias para veículos, com US$ 500,9 mil; artigos e aparelhos ortopédicos, com US$ 396,8 mil; e reboques e semirreboques, com US$ 370,9 mil.

Peixe chileno lidera importações

Nas importações, o Chile foi o principal fornecedor de Rio Preto, com US$ 7,42 milhões. Na sequência aparecem China, com US$ 2,90 milhões; Estados Unidos; Alemanha; e Vietnã.

O volume importado do Chile é explicado principalmente pela compra de peixes frescos ou refrigerados. Foram US$ 7,42 milhões em importações desses produtos no mês, o equivalente a aproximadamente 59% de tudo o que Rio Preto comprou do exterior em julho.

A China, segundo maior fornecedor do município, respondeu por quase US$ 2,9 milhões das importações.

Para Marcassa Jr., o déficit mensal também não deve ser interpretado isoladamente como um indicador negativo da economia local. Parte das importações é formada por mercadorias e insumos utilizados posteriormente por empresas no comércio ou na produção.

“Importar mais do que exportar não significa, sozinho, que a economia está pior. É preciso entender o que está sendo importado, para qual finalidade e acompanhar uma série maior de dados. A balança comercial mostra uma parte importante da atividade econômica, mas precisa ser analisada dentro desse contexto”, afirma.