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Juros altos e incertezas aumentam seletividade nos M&As
Número de transações anunciadas caiu 35% no primeiro semestre de 2026; entre os negócios com valor divulgado, 37% ficaram na faixa de R$ 51 milhões a R$ 500 milhões
03/09/2026 15h19
Por: Postagem Fonte: Agência Dino

Juros elevados, incertezas no comércio internacional e a proximidade das eleições tornam mais cautelosos os investidores na seleção de ativos no mercado brasileiro de fusões e aquisições. Os dados do primeiro semestre de 2026 apontam redução no número de operações anunciadas, mas mostram participação relevante dos negócios situados na faixa intermediária de valor, frequentemente associada ao middle market.

A pesquisa trimestral de fusões e aquisições da KPMG contabilizou 610 transações anunciadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. O recuo sugere um mercado mais seletivo, em que compradores e investidores dedicam mais tempo à análise dos ativos, à estruturação financeira e aos riscos de execução. Isso não significa, no entanto, que a atividade tenha sido interrompida.

Faixa intermediária mantém participação relevante

Das 610 transações identificadas, 267 tiveram seus valores divulgados. Em 100 casos, o valor ficou entre R$ 51 milhões e R$ 500 milhões, o equivalente a aproximadamente 37% das operações com valor conhecido.

Mesmo em um período de retração no número total de anúncios, os negócios de valor intermediário mantiveram presença relevante no mercado brasileiro. Processos de sucessão, profissionalização da gestão, necessidade de capital para expansão e diversificação patrimonial estão entre os fatores que levam empresários a considerar operações societárias.

"O mercado de M&A é cíclico e responde às condições de juros, crédito e confiança. Ao mesmo tempo, existe um movimento estrutural de empresários que avaliam alternativas para obter liquidez, diversificar o patrimônio ou preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento. Como os compradores se tornaram mais rigorosos, as operações exigem análises mais profundas e maior planejamento", afirma Pedro Seidenthal, sócio da JK Capital.

Protocolos no Cade avançam

Os atos de concentração submetidos ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica oferecem uma visão complementar desse mercado. O Radar do Cade, levantamento elaborado pela JK Capital a partir dos registros públicos da autarquia, contabilizou 486 protocolos entre janeiro e julho de 2026, ante 454 no mesmo período de 2025, crescimento de aproximadamente 7%.

Os números do Cade medem algo distinto das transações anunciadas. A notificação à autarquia ocorre quando os grupos envolvidos atendem aos critérios legais de faturamento e pode abranger fusões, aquisições, incorporações, consórcios, joint ventures e determinados contratos associativos.

Protocolar um ato de concentração não significa que a operação tenha sido aprovada ou concluída. Como o Brasil adota o controle prévio, determinadas transações precisam ser submetidas ao Cade antes de sua consumação. Os números funcionam, portanto, como indicador complementar, mas não podem ser diretamente comparados à quantidade de negócios anunciados ou concluídos.

Educação integra movimento de consolidação

Em 2026, a JK Capital alcançou a marca de 100 transações concluídas desde o início de suas atividades, em 2011. A centésima operação envolveu a venda de uma participação no grupo educacional O Novo Mercado para o Grupo Pallur. Os valores não foram divulgados.

De acordo com informações fornecidas pela empresa, além da centésima operação, a JK Capital assessorou outras sete transações concluídas no ano. Entre elas, duas envolveram escolas de educação básica e uma, uma instituição de ensino superior. Os negócios mostram a continuidade da consolidação no setor educacional, apesar do ambiente mais exigente para a realização de transações.

Em conjunto, os indicadores mostram recuo no número de negócios anunciados, presença relevante das operações de valor intermediário e aumento dos protocolos apresentados ao Cade. Em um cenário de maior cautela, compradores, vendedores e investidores tendem a elevar o rigor na seleção dos ativos, na estruturação financeira e na execução das transações.