Editorial ELEÇÕES 2026
Fernandópolis e o desafio de fortalecer sua representação política
A experiência de Votuporanga mostra como a presença de representantes na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa pode ampliar a força de uma cidade e de toda a região
16/09/2026 10h42
Por: Da Redação Fonte: Da Redação

Há cerca de três décadas, Votuporanga começou a construir uma estratégia política que ajudaria a ampliar sua importância regional. Mesmo pertencendo a grupos diferentes, lideranças locais perceberam que a cidade precisava conquistar representação nos espaços onde são tomadas as principais decisões do Estado e do país.

Durante anos, o município contou com nomes diretamente ligados à cidade, como João Dado, no Congresso Nacional, e Carlão Pignatari, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Não seria correto afirmar que o crescimento de Votuporanga aconteceu apenas por causa de seus representantes. O desenvolvimento de uma cidade depende de planejamento, boa administração, iniciativa privada, infraestrutura e capacidade de aproveitar oportunidades.

Por outro lado, também seria difícil ignorar a importância do espaço político ocupado pelo município naquele período.

Ter representantes com raízes na cidade significava contar com interlocutores em Brasília e em São Paulo para apresentar demandas, acompanhar projetos, buscar recursos e aproximar o município dos governos estadual e federal.

Votuporanga fortaleceu sua infraestrutura, ampliou serviços e consolidou-se como um dos principais polos do Noroeste Paulista.

Um novo momento regional

O cenário político de Votuporanga passa agora por uma transição. Carlão Pignatari encerra sua trajetória como deputado estadual sem disputar um novo mandato, enquanto a cidade já não possui a mesma configuração de representação federal observada em outros períodos.

Esse movimento também interessa a Fernandópolis.

Não se trata de estabelecer uma disputa entre as duas cidades. Votuporanga e Fernandópolis possuem importância própria e desempenham funções fundamentais para o desenvolvimento regional.

A experiência da cidade vizinha, entretanto, ajuda a mostrar que representatividade política faz diferença.

Fernandópolis possui comércio forte, instituições de ensino superior, entidades assistenciais, estrutura econômica e uma Santa Casa que atende pacientes de dezenas de municípios. Essa relevância social e econômica também pode ser traduzida em presença política.

O papel da representação em Brasília

Na esfera federal, Fernandópolis conta atualmente com um parlamentar nascido no município. Fausto Pinato exerce seu terceiro mandato como deputado federal e construiu uma base eleitoral distribuída por diferentes regiões do Estado de São Paulo.

Ao longo desse período, sua atuação esteve relacionada à destinação de recursos e à articulação institucional envolvendo Fernandópolis e outros municípios da região.

Entre os exemplos estão as tratativas que contribuíram para o credenciamento do Hospital de Amor em Fernandópolis, ampliando a oferta regional de atendimento especializado, e as articulações relacionadas à implantação do Hospital do Autista.

A atuação parlamentar também foi percebida em momentos de dificuldade enfrentados por instituições tradicionais da cidade, como a Unimed e a Fundação Educacional de Fernandópolis. Nessas situações, a representação política contribuiu para abrir canais de diálogo com órgãos e autoridades federais.

Esses casos mostram uma parte do trabalho parlamentar que nem sempre aparece nos números das emendas.

Um deputado federal pode solicitar reuniões em ministérios, procurar órgãos reguladores, acompanhar processos, intermediar conversas e aproximar instituições locais dos centros de decisão.

Isso não significa que um parlamentar consiga resolver sozinho os problemas de uma cidade, hospital, universidade, cooperativa ou entidade. Cada instituição possui responsabilidades próprias. A representação política, porém, pode facilitar caminhos que seriam mais longos sem uma interlocução direta.

Por essa razão, o debate sobre a presença federal de Fernandópolis não precisa ficar restrito à aprovação ou rejeição de determinado político.

A questão é mais ampla: qual é a importância, para uma cidade do interior, de contar com alguém ligado ao município entre os 513 integrantes da Câmara dos Deputados?

Quando Fernandópolis precisa tratar de recursos para a Santa Casa, infraestrutura, entidades assistenciais, ensino superior ou projetos da microrregião, possuir representantes próximos pode diminuir a distância entre as necessidades locais e os locais onde as decisões são tomadas.

Diferentes candidaturas federais

Fausto Pinato busca a continuidade de seu mandato, enquanto outras candidaturas também apresentam vínculos com Fernandópolis e a região.

Cabe ao eleitor analisar trajetórias, propostas, capacidade de articulação e os resultados apresentados por cada candidato.

Para o município, a discussão que permanece é como transformar seus votos em representação efetiva, evitando que a maior parte dessa força eleitoral seja destinada a candidatos sem ligação direta com a realidade local.

A busca por uma cadeira na Assembleia

Se Fernandópolis possui atualmente uma presença na esfera federal, ainda existe uma lacuna na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A eleição de 2026 apresenta uma situação pouco comum: o município conta com três candidaturas próprias a deputado estadual.

Flávia Resende, Rodrigo Ortunho e Elisandra Sartin colocaram seus nomes à disposição do eleitorado. São candidaturas com grupos, propostas e trajetórias diferentes. Caberá à população avaliar qual delas está mais próxima de suas expectativas.

Além das escolhas individuais, existe uma pergunta de interesse coletivo: Fernandópolis conseguirá transformar uma dessas candidaturas em uma cadeira na Assembleia Legislativa?

A eleição de um representante estadual ligado ao município poderia ampliar a presença da cidade nas discussões sobre saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento regional.

Diferenças locais e interesses regionais

Fernandópolis possui uma longa história de disputas entre grupos políticos. Situação e oposição se alternam, alianças são formadas e desfeitas e novas lideranças aparecem. Esse movimento faz parte da democracia.

O desafio começa quando as divergências locais impedem qualquer entendimento sobre interesses comuns.

Uma cidade pode manter suas disputas municipais e, ao mesmo tempo, reconhecer que determinadas pautas ultrapassam essas divisões. A busca por representatividade regional é uma delas.

Deputados não resolvem sozinhos todos os problemas de um município. Entretanto, cidades que contam com interlocutores em Brasília e na Assembleia Legislativa geralmente possuem mais condições de acompanhar projetos, apresentar demandas e disputar recursos.

Uma eleição com características particulares

A eleição de 2026 reúne circunstâncias que merecem atenção.

Fernandópolis possui um deputado federal exercendo o terceiro mandato, outras candidaturas federais ligadas à região e três nomes locais na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, Votuporanga atravessa uma mudança em seu ciclo de representação.

Esses movimentos tornam necessário um debate mais profundo sobre estratégia regional.

Mais do que discutir apenas nomes, partidos ou grupos, Fernandópolis precisa avaliar como pretende utilizar sua força eleitoral e qual presença deseja construir nos próximos anos.

Uma reflexão para além das urnas

A experiência de Votuporanga mostra que representação política não produz resultados sozinha, mas pode contribuir para que uma cidade tenha mais acesso, influência e capacidade de articulação.

Fernandópolis não precisa copiar a cidade vizinha. Pode, porém, observar sua trajetória e retirar dela algumas lições.

Empresários, entidades, lideranças, vereadores, prefeitos da microrregião e eleitores podem discutir não somente quem será eleito, mas quem estará presente quando Fernandópolis e a região precisarem apresentar suas demandas.

Eleições passam. Governos e grupos políticos também mudam. A necessidade de representação, entretanto, permanece.

Em 2026, Fernandópolis terá a oportunidade de avaliar a presença que já possui em Brasília e, ao mesmo tempo, decidir se conseguirá conquistar espaço na Assembleia Legislativa.

A escolha pertence ao eleitor. As consequências dessa decisão serão sentidas por toda a região nos próximos quatro anos.