Polícia Crime
Mulher trans denuncia perseguição e ataques em grupo de conselheiros da Cultura
Serena Vilela afirma que foto retirada de perfil privado foi enviada a 107 integrantes do grupo, acompanhada de comentários discriminatórios
18/09/2026 17h16
Por: Luiz Peniza | Estagiário Fonte: Da redação

A Polícia Civil de Rio Preto vai investigar uma denúncia de perseguição, injúria e difamação apresentada por uma mulher trans de 37 anos, que afirma ter sido alvo de ataques em um grupo ligado ao Conselho da Secretaria Municipal de Cultura no segmento LGBTQ+. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial.

A denunciante, Serena Vilela, que é motorista profissional, afirmou à polícia que atua há aproximadamente oito meses como conselheira da Secretaria de Cultura. Segundo ela, o grupo reúne representantes de diferentes partidos políticos e utiliza principalmente o WhatsApp e transmissões ao vivo para tratar das atividades do conselho.

De acordo com o boletim de ocorrência, Serena relatou que, na manhã da última sexta-feira (11), dois integrantes do grupo — um produtor artístico, de 59 anos, e uma secretária, de 53 — teriam compartilhado uma fotografia retirada de seu perfil privado no Instagram e iniciado uma série de ataques contra ela.

Segundo a denúncia, a imagem foi encaminhada de forma individual aos 107 integrantes do grupo, acompanhada de comentários que associavam a vítima ao PL e questionavam sua permanência no conselho. Serena afirma ainda ter sido chamada de "a travesti do PL" e de que "parecia uma presidiária e surtada".

A mulher também relatou que os envolvidos teriam procurado pessoas para as quais ela trabalha ou já trabalhou, com o objetivo, segundo sua versão, de prejudicar sua atividade profissional. Conforme o boletim, os acusados teriam feito comentários negativos sobre ela e pedido que não fosse contratada.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que deverá analisar as circunstâncias relatadas no boletim e eventuais provas apresentadas pela denunciante, como mensagens, fotografias e registros dos contatos realizados.

Serena afirmou ainda que o regimento do grupo de conselheiros proíbe manifestações de natureza político-partidária ou religiosa durante as atividades de trabalho. Segundo ela, os episódios relatados ocorreram justamente no contexto das discussões relacionadas à sua atuação como conselheira.