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Voz do cliente define valor do M&A e reduz o churn
Pesquisas revelam que 75% dos M&As falham por ignorar gargalos ocultos no pós-deal, como desalinhamento cultural, falhas na comunicação, falta de planejamento cocriado e negligência com a voz do cliente, que pode gerar até 25% de churn. Especialis...
22/09/2026 11h49
Por: Postagem Fonte: Agência Dino

Nas mesas de negociação e no mercado de capitais, o sucesso de uma fusão ou aquisição costuma ser projetado com base em auditorias financeiras, projeções de múltiplos e análises de passivos. No entanto, a realidade do mercado aponta para questões que seguem não sendo levadas em consideração. Uma pesquisa realizada ao longo de 40 anos com 40 mil operações revelou que 75% dos M&As falham em atingir seus objetivos (Baruch Lev & Feng Gu, 2024). A causa raiz dessa quebra de expectativa raramente está na planilha, porque reside no que a due diligence convencional não consegue enxergar.

Graziela Bernardo e Deusa Marcon, sócias da Recíproka, passaram alguns meses ouvindo atores do ecossistema de Fusões e Aquisições e, como resultado, desenvolveram uma solução complementar ao due diligence tradicional. "As auditorias tradicionais olham no retrovisor para validar números, mas ignoram a mecânica invisível que faz o negócio continuar girando no dia a dia pós-deal", observa Graziela Bernardo.

Para as executivas, quando o olhar do investidor se restringe às sinergias financeiras, quatro gargalos ocultos sabotam a transação:

A cultura como motor e proteção do capital intelectual

A cultura organizacional não é um conceito abstrato pois afeta diretamente a avaliação do negócio. Um caso emblemático citado por Nik Johnston, do JP Morgan, ilustra essa dinâmica: quando a varejista de luxo NMG foi adquirida pela Saks Global em dezembro de 2024, o múltiplo EBITDA alcançou impressionantes 9,7 vezes, significativamente superior ao múltiplo de 5,9 da rival Nordstrom. O preço premium não decorreu apenas do segmento de luxo, mas de uma cultura de trabalho flexível e focada em resultados que impulsionou estabilidade e desempenho em um setor marcado pela alta rotatividade.

Em contrapartida, quando a integração falha em proteger esse ativo, a perda de valor é imediata. Como relatou um Fundador e CEO ouvido em estudo de campo pela Recíproka: “A cultura se perdeu porque focamos no curto prazo e em entregar para o investidor os números. Para ele, pouco importava o propósito. Agora estamos tentando resgatar o propósito porque isso é o que nos diferencia no mercado.”

A resistência interna é outro sintoma da falta de um planejamento estratégico inclusivo. Segundo um Executivo de Assessoria em M&A, “em geral, os fundadores são resistentes à execução de planos impostos pelos investidores.”

A voz do cliente é a bússola que evita a erosão de receita

Se o desalinhamento cultural desestrutura a equipe interna, negligenciar a percepção do cliente corrói o faturamento da empresa investida. Dados da Forrester Research (2024) apontam que aquisições que ignoram a experiência do cliente enfrentam um churn médio de até 25% no primeiro ano pós-transação. Além disso, um estudo de 2023 sobre o comportamento de compra pós-M&A (Impact of M&A on Consumer Buying Behavior) revelou que a lealdade dos consumidores é frequentemente alterada após fusões, refletindo uma percepção negativa da qualidade ou do valor da marca.

Como resume um Especialista em Integração entrevistado pela Recíproka: “Funcionários e clientes são os que mais sofrem na integração, ainda mais se não tiver um plano claro e houver desalinhamento de estratégia.”

Sem uma escuta qualitativa e estruturada da base de clientes durante a due diligence — que investigue a plataforma, o custo de mudança (switching cost), a aderência aos novos produtos e os riscos de migração para concorrentes, o investidor corre o risco de pagar por uma receita recorrente que pode evaporar no pós-deal.

A abordagem que conecta números, cultura e execução

Para evitar que as operações caiam na armadilha dos 75% de fracasso, a Recíproka atua como a ponte estratégica entre auditoria e execução, integrando três alavancas essenciais à jornada de investimento:

  1. Análise da Percepção de Valor (Voz do Cliente): Mapeia o valor percebido, a imagem da marca, os riscos silenciosos de churn e as alavancas de fidelização junto aos clientes do prospect.
  2. Mapeamento Cultural (Cultural Due Diligence): Diagnostica os comportamentos e o fit cultural entre comprador e investida, identificando lideranças-chave e mitigando riscos de rotatividade.
  3. Planejamento Estratégico Cocriado: Constrói um plano de integração claro e exequível com os fundadores e executivos (buy-side e sell-side), garantindo a apropriação das metas e o alinhamento de expectativas desde o primeiro dia.

"Transformar uma tese de investimento em valor real exige enxergar além dos relatórios financeiros convencionais", reforça Deusa Marcon. Ao ouvir o cliente, mapear a cultura e cocriar o futuro do negócio, o investidor não apenas fecha o deal, mas garante que a empresa prosperará com sustentabilidade e rentabilidade de longo prazo.