A hérnia de disco figura entre os problemas mais recorrentes da coluna vertebral. Levantamento citado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que oito em cada dez pessoas no mundo apresentam algum grau de hérnia de disco ao longo da vida. No Brasil, dados oficiais mostram que a hérnia de disco e a dor lombar estão entre as principais causas de afastamento do trabalho, o que demonstra o peso dessas condições na rotina e na produtividade da população economicamente ativa.
Contudo, a evolução da tecnologia médica tem ampliado as alternativas de tratamento para doenças da coluna vertebral, reduzindo a agressão aos tecidos necessária para tratar problemas como hérnia de disco e estenose do canal lombar. Entre os procedimentos que ganharam espaço está a cirurgia endoscópica da coluna, realizada com câmera de alta definição e instrumentos específicos, por meio de uma incisão de aproximadamente 1,5 centímetro.
O ortopedista Allan Garcia, especializado em coluna e tratamento da dor, explica que o avanço técnico não substitui a avaliação criteriosa para indicar o procedimento mais adequado a cada paciente.
Cirurgia endoscópica amplia as possibilidades de tratamento
De acordo com o médico, a chegada de técnicas minimamente invasivas alterou principalmente a relação entre o objetivo da cirurgia e a agressão necessária para alcançá-lo. "Hoje, em casos selecionados, conseguimos tratar determinadas doenças da coluna por acessos muito menores, com menor manipulação dos músculos e dos tecidos ao redor da coluna, preservando mais a anatomia normal do paciente", afirma.
Conforme sustenta o especialista, a cirurgia endoscópica é um dos principais exemplos dessa mudança, permitindo, em determinadas situações, procedimentos com menor trauma cirúrgico, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.
Ele pondera, no entanto, que o conceito vai além do tamanho da incisão. "Minimamente invasivo não significa simplesmente fazer uma incisão pequena. O princípio fundamental é utilizar a menor agressão necessária para resolver adequadamente o problema do paciente, sem comprometer a segurança ou a eficácia do tratamento", sintetiza Dr. Allan Garcia.
Essa transformação, considera o ortopedista, resulta da combinação de fatores técnicos e científicos: avanços na qualidade das imagens, nos sistemas ópticos, nos equipamentos de endoscopia e nas ferramentas de navegação, somados a uma compreensão mais aprofundada da anatomia funcional da coluna e dos mecanismos de dor e compressão neural. "A tecnologia, isoladamente, não resolve um problema. É a associação entre tecnologia, experiência do cirurgião, indicação adequada e planejamento individualizado que permite oferecer tratamentos cada vez mais seguros e eficientes", diz o médico.
Para os pacientes, os efeitos práticos podem incluir menor tempo de internação, redução no uso de analgésicos e retorno mais rápido às atividades cotidianas, quando a técnica é corretamente indicada. Dr. Allan Garcia alerta, contudo, que uma abordagem minimamente invasiva não é automaticamente mais segura para qualquer paciente. "A segurança está diretamente relacionada à indicação correta, ao planejamento e à experiência da equipe. Uma cirurgia inadequadamente indicada, mesmo sendo minimamente invasiva, continua sendo inadequada", assinala.
Indicação precisa continua sendo essencial
O médico cita situações em que a cirurgia endoscópica costuma trazer bons resultados, como em pacientes com hérnia de disco lombar que apresentam compressão de uma raiz nervosa e sintomas compatíveis, após avaliação clínica e radiológica adequada, além de determinados quadros de estenose do canal ou dos forames. Há ainda aplicações na coluna cervical, sempre de forma individualizada.
Por outro lado, casos com instabilidade importante da coluna, algumas deformidades ou espondilolistese, que demandam correção estrutural mais ampla, tendem a se beneficiar de outras técnicas, incluindo cirurgias convencionais ou procedimentos de fusão.
"A decisão não deve partir da pergunta: qual é a cirurgia mais moderna, mas sim qual é a mais adequada para este paciente. A tecnologia deve estar a serviço da indicação médica", resume Dr. Allan Garcia.
Na avaliação do ortopedista, o futuro do tratamento cirúrgico da coluna caminha para procedimentos cada vez mais personalizados, com apoio de sistemas de navegação e planejamento cirúrgico mais sofisticado. "Ainda assim, o maior desafio não é apenas tecnológico, mas a capacidade de selecionar corretamente quais pacientes realmente se beneficiam de um procedimento cirúrgico, já que nem toda dor na coluna exige operação", defende.
Dr. Allan Garcia pontua que a evolução tecnológica não diminui a importância da avaliação médica: quanto maior o número de opções terapêuticas, maior a necessidade de um diagnóstico criterioso, que integre história clínica, exame físico e exames de imagem.
"Em muitos casos, o tratamento não cirúrgico continua sendo a melhor opção. Quando a operação é necessária, a tecnologia amplia as possibilidades, mas a escolha da técnica precisa considerar as características de cada paciente", reitera.
O ortopedista atende em Vitória, Vila Velha, Linhares, Cariacica e outras cidades do Espírito Santo.
Para mais informações, basta acessar: https://drallangarcia.com/
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