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Economia Economia

Empresas buscam profissionais flexíveis e reveem liderança

Estruturas mais horizontais e decisões menos centralizadas mudam o papel dos gestores e ampliam a busca por profissionais com autonomia, flexibilidade e capacidade de adaptação

29/09/2026 10h45
Por: Postagem Fonte: Agência Dino
Encaso Comunicação
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As transformações tecnológicas e econômicas previstas para os próximos anos estão levando empresas a rever tanto as competências exigidas dos profissionais quanto a forma de liderar equipes e tomar decisões. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades atualmente exigidas no mercado de trabalho devem mudar ou se tornar obsoletas até 2030. O levantamento ouviu mais de mil empregadores, que representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias.

Pensamento analítico aparece como uma das competências mais valorizadas, mencionado por 69% dos empregadores. Resiliência, flexibilidade e agilidade vêm logo depois, com 67%, enquanto liderança e influência social são citadas por 61%. Esta última também ganhou importância em relação à edição de 2023 do levantamento.

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No Brasil, quase nove em cada dez empresas participantes afirmam que pretendem investir na qualificação de seus profissionais nos próximos cinco anos. Inteligência artificial, big data e letramento tecnológico estão entre as prioridades, mas as empresas também esperam maior demanda por competências humanas, como empatia, escuta ativa, resiliência, flexibilidade, curiosidade e aprendizagem contínua.

Para Renata Campedelli, associada TrendsInnovation e profissional com mais de 30 anos de experiência nos setores financeiro e de serviços, essas mudanças ajudam a colocar em discussão um modelo ainda presente em muitas organizações: aquele em que decisões importantes permanecem concentradas em poucos níveis da hierarquia.

"A horizontalização não significa uma empresa sem liderança ou em que todos decidem tudo coletivamente. O que muda é a concepção de poder. O líder deixa de concentrar todas as respostas e passa a criar as condições para que as pessoas mais próximas dos problemas tenham autonomia para participar das decisões, sempre com responsabilidade, alinhamento estratégico e clareza sobre os objetivos da organização", afirma Renata.

No capítulo "Liderança e gestão em organizações horizontais – o desafio do poder", do livro Governança TrendsInnovation, Renata analisa a passagem de estruturas baseadas em comando, controle e decisões centralizadas para modelos mais horizontais ou matriciais, com maior participação das equipes. A autora trata essa mudança como um processo gradual, que não pressupõe abandonar de uma vez as estruturas existentes.

A necessidade de rever a forma de trabalhar também aparece entre as preocupações dos próprios empregadores. Para 63% dos participantes do levantamento do Fórum Econômico Mundial, a falta de competências disponíveis será a principal barreira para a transformação dos negócios entre 2025 e 2030.

Distribuir decisões, porém, não significa apenas conceder mais liberdade às equipes. Para Renata, a autonomia só funciona quando as pessoas também têm acesso às informações necessárias e sabem quais responsabilidades assumem.

"Quando uma empresa descentraliza uma decisão, ela não pode descentralizar apenas o poder e esquecer a responsabilidade. Autonomia precisa vir acompanhada de confiança, informação e compreensão do propósito. Esse talvez seja um dos maiores desafios das organizações horizontais: fazer com que a decisão deixe de depender exclusivamente da hierarquia sem transformar descentralização em falta de direção", explica.

Uma das ferramentas abordadas pela autora é o chamado processo de aconselhamento. Nesse modelo, quem identifica uma oportunidade pode assumir determinada decisão, desde que consulte profissionais afetados por ela e pessoas que conheçam o assunto. Quem propõe a decisão também responde por sua implementação e pelos resultados, seguindo o princípio de "autonomia com responsabilidade".

A mudança na distribuição de poder também altera a função dos gestores. Renata trabalha com o conceito de liderança educadora, em que o líder participa do desenvolvimento da equipe, atua como facilitador e mentor e deixa de ter sua função associada exclusivamente ao comando.

Algumas das competências apontadas pelo Fórum Econômico Mundial seguem essa mesma direção. Empatia e escuta ativa, curiosidade e aprendizagem contínua e gestão de talentos estão entre as dez competências centrais dos trabalhadores em 2025. Ensino e mentoria são mencionados por 26% dos empregadores.

A descentralização chega ainda aos conselhos de administração. Na avaliação de Renata, distribuir decisões dentro da companhia não reduz a importância do conselho, mas exige uma atuação menos concentrada no exercício direto do poder e mais voltada à orientação da gestão.

"O conselho não perde importância quando a organização distribui poder. O desafio é usar experiência e conhecimento para aconselhar, provocar a gestão e ajudar a construir um ambiente de confiança, sem assumir automaticamente todas as decisões. Horizontalidade exige uma liderança mais madura justamente porque influenciar passa a ser tão importante quanto controlar", diz.

No capítulo, Renata atribui aos conselheiros funções de orientação, mentoria e aconselhamento e defende que a descentralização precisa permanecer conectada à estratégia geral da organização.

O tema integra o capítulo 16 do livro Governança TrendsInnovation, que reúne análises de associados da Associação TrendsInnovation sobre mudanças nos modelos de governança e gestão.

Sobre Renata Campedelli

Renata Campedelli possui mais de 30 anos de experiência nos setores financeiro e de serviços. É formada em Administração de Empresas pela EAESP-FGV, possui MBA em Marketing de Negócios pela ESPM e formação em Governança Corporativa TrendsInnovation pela Inova. Ao longo da carreira, atuou em desenvolvimento de produtos, inovação, gerenciamento de projetos, operações, tecnologia e marketing.

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