Com a chegada dos últimos meses do ano, planos interrompidos ou ainda não iniciados costumam ganhar uma nova data: janeiro. A escolha não é apenas uma convenção. Pesquisas em psicologia mostram que marcos temporais, como o início de um ano, de um mês ou de uma semana, podem favorecer a disposição para perseguir novos objetivos. O que acontece depois desse impulso inicial, porém, é outra questão.
Um estudo publicado em 2025 na revista Psychological Science investigou o que favorece a adesão a metas ao longo do tempo. Em uma das etapas, adultos nos Estados Unidos foram acompanhados durante um ano em suas resoluções de Ano-Novo. Embora essas resoluções estivessem fortemente ligadas a resultados futuros, como melhorar a saúde ou economizar dinheiro, a motivação intrínseca — relacionada à experiência vivida durante a própria atividade — foi mais importante para prever a continuidade. Os pesquisadores encontraram resultados semelhantes em outros contextos, inclusive entre adultos na China, e um experimento posterior mostrou que aumentar a motivação intrínseca também aumentou a adesão às metas.
Também não há um prazo único para que um comportamento se torne habitual. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 reuniu 20 estudos, com 2.601 participantes, sobre hábitos relacionados à saúde. Entre os quatro trabalhos que mediram diretamente o tempo necessário para a formação do hábito, as medianas ficaram entre 59 e 66 dias e as médias entre 106 e 154 dias. A variação individual foi ainda maior: de 4 a 335 dias. Os autores chamam atenção para a ideia popular de que seriam necessários 21 dias para formar um hábito, prazo que as evidências disponíveis não sustentam como regra geral. A própria revisão ressalta as limitações da literatura disponível e a necessidade de mais estudos sobre o tema.
A pedagoga Adriana Riquena vê nessa discussão uma aproximação com os processos de aprendizagem. "Na educação, a gente não espera que alguém domine uma habilidade só porque decidiu aprendê-la. A pessoa tenta, erra, repete, revê. Às vezes precisa mudar a estratégia. Mas, quando a gente decide mudar alguma coisa na própria vida, parece que espera que a decisão dê conta de tudo. E, quando o plano não funciona como imaginamos, é muito fácil achar que fracassamos", afirma.
A revisão do percurso também aparece nas pesquisas sobre metas. Um estudo publicado em 2025 na revista Personality Science acompanhou 420 universitários norte-americanos durante três meses. Pouco mais de um quarto dos participantes alterou pelo menos uma meta nesse período. Comprometimento, percepção de progresso, tempo e estresse estiveram entre os fatores associados a essas mudanças. O estudo foi realizado com um grupo específico e não permite estender os resultados para toda a população, mas traz um elemento importante para a discussão: metas também podem mudar enquanto estão sendo perseguidas.
É justamente o que acontece entre a decisão inicial e a vida cotidiana que interessa a Riquena em parte de seu trabalho. "Eu tenho pensado muito sobre o que acontece depois que a gente decide. O que fazemos quando chega uma semana ruim? Quando aquele planejamento que parecia ótimo simplesmente não cabe? Quando interrompemos alguma coisa por alguns dias? Talvez seja aí que a gente precise menos de uma nova promessa e mais de entender o que aconteceu e reorganizar o caminho", diz.
Essa perspectiva aparece em trabalhos desenvolvidos por Riquena tanto com processos pessoais de mudança quanto com formação de educadores. Em O Fim do Recomeço, ela trabalha a partir de três movimentos — enxergar, reorganizar e sustentar. No Percurso de Autoria Docente, voltado a educadores, a reflexão passa por identidade, escolhas e vida profissional. Embora partam de questões diferentes, os dois percursos se encontram em uma pergunta: como construir escolhas que possam ser sustentadas nas condições concretas da vida?
Para Riquena, essa pergunta também ajuda a olhar de outra maneira para os meses que antecedem a virada do ano. "Não precisamos transformar os três meses que restam em uma corrida para dar conta de tudo o que não fizemos. Mas também não precisamos considerar que o ano acabou e deixar para janeiro aquilo que ainda importa. Talvez o contrário de desistir não seja nunca interromper. Talvez seja conseguir voltar sem acreditar que, a cada volta, é preciso começar tudo de novo."
Saúde Dia Nacional de Prevenção à Obesidade: 7 sinais de alerta
Saúde Novas técnicas e tecnologias ampliam o tratamento da dor
Saúde Andrologia atua no cuidado da saúde masculina
Saúde Tecnologia wearable permite monitorar saúde do coração
Saúde Serena Assist lança plano Unique para até 12 pessoas
Saúde Consultas podem evitar 75% das deficiências visuais Mín. 26° Máx. 38°
Mín. 26° Máx. 39°
Tempo nubladoMín. 22° Máx. 35°
Chuva
Além das - Junio Faria Borges SETEMBRO ROXO: Quando respirar se transforma em uma luta por vida, ciência e direitos
Café com Licitação Algumas mulheres não tiveram escolha... Tiveram que virar fortaleza.
Malagueta A temporada dos paraquedistas começou
O Olhar do Interior O regresso das cavalgadas e o reencontro com nossas raízes 

