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Escassez de capital obriga empresas a decidir melhor
Livro de André Trench, diretor financeiro da Nomad, propõe tratar a área financeira como infraestrutura de decisão, e não como retaguarda. A Arquitetura do Capital reúne quase duas décadas de experiência em bancos globais e fintechs.
16/10/2026 15h34
Por: Postagem Fonte: Agência Dino

André Trench, diretor financeiro da Nomad, apresenta o livro "A Arquitetura do Capital: como construir, escalar e automatizar a função financeira entre o zero e o mercado de capitais" em encontro realizado na sede da Rede Líderes. A programação reúne profissionais de finanças, tecnologia e negócios para discutir a proposta de tratar a área financeira como infraestrutura de decisão estratégica.

A obra analisa temas como caixa e liquidez, risco, equity e dívida, custo interno do dinheiro, governança, automação e aplicação de inteligência artificial, fundamentando a discussão na trajetória do autor em bancos de investimento globais e fintechs brasileiras de alto crescimento.

Um dos eixos centrais do livro é o descompasso entre o estágio de crescimento de uma empresa e a maturidade de sua estrutura financeira. Trench descreve as fases organizacionais, da fundação ao declínio, e indica que cada etapa requer perfis de liderança e de capital específicos. Segundo o autor, idade, faturamento ou tamanho da equipe não garantem solidez; a diferença está na profundidade da base financeira construída ao longo do tempo.

"Capital escasso obriga a decidir melhor. Quem nunca administrou escassez de verdade tende a tratar caixa com displicência", afirma Trench.

O livro também examina a relação com bancos, investidores e o mercado de capitais, apontando que a confiança dessas contrapartes se consolida por recorrência e coerência. Empresas que mantêm disciplina em ciclos de euforia tendem a ser ouvidas com mais atenção quando buscam recursos.

Além de líderes financeiros, a obra dialoga com conselhos, fundadores e líderes de tecnologia, produto e operações, que frequentemente tomam decisões que afetam a capacidade financeira da organização. Trench propõe uma linguagem comum sobre risco, retorno e liquidez para aproximar essas áreas.

Na seção dedicada à tecnologia, o autor apresenta um modelo de automação da função financeira que reduz tarefas manuais repetitivas, como as rotinas de tesouraria corporativa e de conciliação, e incorpora regras de classificação contábil na origem das operações. O fechamento mensal passa a ser uma confirmação de dados, permitindo que a equipe financeira foque na interpretação de cenários.

Trench reconhece a cautela da área financeira diante da inteligência artificial, devido ao risco de erros com consequências contábeis, fiscais e regulatórias imediatas. Contudo, argumenta que revisões, conhecimento e a não aplicação em processos determinísticos são essenciais. Ele define cinco condições para capturar valor com tecnologia na área financeira: dados organizados e estruturados na origem, pessoas preparadas, cultura de dados na empresa inteira, processos desenhados antes da implantação e apoio da alta liderança.

A trajetória profissional do autor sustenta a perspectiva apresentada. Iniciou a carreira como office boy no Credit Suisse e transitou transitado por várias áreas do banco. Estudou contabilidade, programação, precificação de ativos, risco e chegou à área de Product Control, onde atuou também no Morgan Stanley e no BNP Paribas.

Posteriormente, migrou para as fintechs. Na Stone, liderou tesouraria e riscos durante a preparação para o IPO e teve atuação preponderante durante a crise do Covid-19, estruturou do zero a área de captação de recursos e riscos financeiros da Neon e, no PagBank, abriu acesso ao mercado institucional como diretor de Tesouraria e Mercado de Capitais. Atualmente, ocupa a diretoria financeira da Nomad, com responsabilidades sobre controladoria, tesouraria, riscos financeiros e banking. É candidato ao CFA nível três do CFA Program e tem MBA executivo em finanças pelo Insper.

A obra é publicada pela A7Z, certificadora e editora especializada no posicionamento da alta liderança, que transforma trajetórias de carreira em publicações de referência. A A7Z integra a Rede Líderes, ecossistema que reúne quem decide em finanças, tecnologia, pessoas, risco e receita para, juntos, descobrir as soluções e tecnologias de mercado capazes de responder aos desafios de suas empresas.