Polícia Crime
Homem que matou morador de rua queimado é condenado a 21 anos de prisão na região
Vítima de 48 anos foi espancada com uma barra de ferro e teve o corpo incendiado em praça do bairro Santa Cruz, em fevereiro de 2025
21/10/2026 18h09
Por: Luiz Peniza | Estagiário Fonte: Da redação

Maurício José Batista Tozzo, conhecido como “Alemão”, foi condenado a 21 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo homicídio qualificado de Valter Ferreira, de 48 anos, conhecido como “Bruxo”. O crime ocorreu em 20 de fevereiro de 2025, por volta das 13h, na Praça da Figueira, no bairro Santa Cruz, região central de Rio Preto.

A condenação foi resultado da investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-5).

Segundo a apuração, Valter, que vivia em situação de rua, dormia sob uma figueira quando foi surpreendido pelo agressor, que passou a golpeá-lo com uma barra de ferro. Em seguida, o autor despejou álcool combustível sobre o corpo da vítima e ateou fogo.

Mesmo gravemente ferido, Valter conseguiu percorrer parte da praça com o corpo em chamas. Ele foi socorrido e levado ao Hospital de Base, onde morreu horas depois.

Os exames periciais constataram queimaduras em aproximadamente 95% da superfície corporal, inclusive nas vias aéreas, além de traumatismo craniano com hematoma subdural. Os resultados evidenciaram a violência empregada no crime.

Investigação reconstituiu a dinâmica do homicídio

Inicialmente, a ocorrência foi registrada como morte suspeita, sem o acionamento imediato da equipe especializada para os trabalhos no local. Depois de tomar conhecimento das circunstâncias, a Delegacia de Homicídios iniciou diligências que permitiram identificar a natureza criminosa da morte, apontar o responsável e reconstruir a sequência dos acontecimentos.

Um dos principais instrumentos utilizados foi o Auto de Recognição Visuográfica do Local de Crime, documento técnico elaborado para registrar e ilustrar os elementos relacionados à dinâmica do homicídio.

Mesmo com o levantamento feito após o crime, os policiais civis conseguiram identificar o ponto onde Valter dormia e foi atacado inicialmente, o trajeto percorrido por ele depois do incêndio e o local onde recebeu socorro, a aproximadamente 30 metros do ponto inicial das agressões.

O levantamento também registrou possíveis manchas de sangue e um relógio parcialmente carbonizado, vestígios incorporados à análise investigativa.

Com fotografias, imagens aéreas, identificação de vestígios e descrição técnica do ambiente, os investigadores representaram espacialmente os acontecimentos. O material também permitiu confrontar a versão apresentada pelo investigado com os depoimentos de testemunhas e os demais elementos reunidos no inquérito policial.

A reconstrução demonstrou a importância do trabalho técnico mesmo quando realizado depois dos fatos, permitindo extrair informações relevantes para o esclarecimento do caso.

Desavenças pessoais teriam motivado o crime

As diligências indicaram que o homicídio teria sido motivado por desavenças pessoais e conflitos relacionados à ocupação do espaço público, especialmente ao local onde a vítima costumava dormir.

Durante a investigação, Maurício foi localizado e confessou participação no crime. A autoridade policial pediu a prisão temporária, que foi cumprida posteriormente.

Ao término dos trabalhos, o investigado foi formalmente indiciado por homicídio triplamente qualificado, e a Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em preventiva.