Mais de 2 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer de mama todos os anos no mundo. Mas, embora a conscientização sobre a doença tenha avançado, ainda existem lacunas importantes sobre o que acontece depois das primeiras etapas do tratamento. Uma pesquisa realizada pela Ipsos em parceria com a Novartis Brasil mostrou que 87% das brasileiras entrevistadas reconhecem que o câncer de mama pode voltar após o tratamento, enquanto apenas 39% afirmam já ter ouvido falar em "recidiva", termo usado para definir o retorno da doença. O contraste aponta para um desafio que também merece espaço no Outubro Rosa: ampliar não apenas a conscientização sobre o diagnóstico, mas a informação sobre a continuidade do cuidado.
O término do tratamento inicial não significa, necessariamente, o fim dessa jornada. Mesmo diante de resultados favoráveis e da ausência de sinais detectáveis da doença - situação descrita como remissão -, o acompanhamento médico permanece importante. O risco individual de recidiva pode persistir e varia conforme características do tumor e da pessoa; quando indicado, tratamentos adicionais também podem integrar o cuidado.
"O fim de uma etapa do tratamento não significa o fim do cuidado. É importante que a paciente compreenda seu risco individual, o objetivo das terapias indicadas e como será feito o acompanhamento ao longo do tempo. Informação de qualidade ajuda a reduzir incertezas e permite uma participação mais ativa nas decisões sobre a própria saúde, inclusive na definição de estratégias individualizadas de cuidado e na incorporação de hábitos e mudanças no estilo de vida que contribuam para a saúde a longo prazo", afirma Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
Essa conversa ganha relevância especial no câncer de mama inicial RH+/HER2-, o subtipo mais comum da doença. Entre essas pacientes, aquelas classificadas como de alto risco apresentam maior probabilidade de recidiva, que, dependendo de fatores clínicos e das características do tumor, pode ultrapassar 40% em longo prazo. O dado não significa que a doença necessariamente voltará: o risco é individual e precisa ser discutido com a equipe médica.
"Avançar no cuidado do câncer de mama também passa por discutir acesso. Quando novas estratégias de tratamento são avaliadas para incorporação ao sistema público, a participação de pacientes, familiares, profissionais de saúde e da sociedade civil ajuda a aproximar a análise técnica da realidade de quem convive com a doença", explica Novita.
Mas compreender o risco é apenas uma parte dessa equação. A continuidade do cuidado também passa pelo acesso às opções disponíveis para cada perfil de paciente. Recentemente, a Consulta Pública nº 61/2026 da Conitec integrou o processo de avaliação da possível incorporação, ao SUS, do succinato de ribociclibe em associação a inibidores de aromatase não esteroidais como tratamento adjuvante para pacientes adultas com câncer de mama inicial RH+/HER2−, linfonodo positivo e alto risco de recidiva, ampliando o debate público sobre o tema.
A consulta é uma etapa oficial em que pacientes, familiares, profissionais de saúde, associações e qualquer cidadão podem contribuir com experiências e percepções que complementam a análise técnica do Ministério da Saúde. Em um mês tradicionalmente associado à prevenção e ao diagnóstico precoce, esse movimento reforça outra dimensão do cuidado: assegurar que a voz de quem convive com a doença também esteja presente nas discussões sobre acesso e sobre os desafios enfrentados após o tratamento inicial.
Para a fisioterapeuta, pesquisadora e maratonista Raquel Castanharo, diagnosticada com câncer de mama aos 38 anos, essa continuidade também se traduz na vida cotidiana - na reorganização da rotina, dos projetos, dos limites e das perguntas levadas à consulta. "Em algum momento você percebe que terminar uma etapa do tratamento não significa simplesmente voltar para a vida que existia antes. A vida continua, mas algumas coisas mudam - o corpo, as prioridades e até a forma como você conversa com a equipe médica. A fase do tratamento adjuvante é desafiadora e pouco falada, mas crucial para evitar a recidiva, por isso ter informação e acesso a opções de tratamento é tão importante para a continuidade do cuidado"
É justamente esse olhar ampliado que orienta Meu Caminho Continua, campanha da Novartis que, neste Outubro Rosa, apoia a discussão sobre acompanhamento, risco de recidiva, diálogo com a equipe de saúde e a vida depois do tratamento inicial. Porque conscientizar também é falar sobre o que vem depois - e sobre as condições necessárias para que cada mulher possa continuar seu caminho com informação, cuidado e acesso.
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