Economia Juros
Selic em 13,75% penaliza a economia real, avalia economista-chefe da APAS
Para Felipe Queiroz, manutenção dos juros mantém a pressão sobre o consumo das famílias, os investimentos e os setores produtivos
05/11/2026 19h30
Por: Luiz Peniza | Estagiário Fonte: Da redação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano penaliza a economia, na avaliação de Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS – Associação Paulista de Supermercados. Para ele, o patamar atual dos juros continua trazendo dificuldades à atividade econômica brasileira.

Segundo Queiroz, apesar de a inflação estar relativamente controlada, com o IPCA acumulado em 12 meses em 4,58%, pouco acima do teto da meta, o Brasil mantém uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Na avaliação do economista, esse cenário beneficia o setor financeiro e o rentismo, enquanto penaliza os segmentos produtivos.

“O comércio é impactado, os serviços são impactados, a indústria é impactada. Consequentemente, o consumo das famílias, os investimentos, o comércio e os serviços continuam a ser penalizados”, afirma.

Para o economista, a demora na redução da Selic compromete o ritmo da atividade econômica e limita o potencial de crescimento do País. Ele lembra que as projeções do Boletim Focus indicam expansão inferior a 2% da economia brasileira neste ano, com os juros elevados entre os fatores que contribuem para o resultado.

“Está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica”, defende.

Queiroz ressalta ainda que, por causa das dimensões continentais do Brasil e da necessidade de ampliar os investimentos, o custo elevado do crédito é um obstáculo ao desenvolvimento. “Hoje, a nossa taxa básica de juros é um impeditivo ao crescimento econômico”, conclui.