Polícia Crime
Golpes do falso advogado e do falso prêmio deixam cinco vítimas na região
Somados, os prejuízos informados chegam a cerca de R$ 56 mil; casos foram registrados entre terça (3) e quarta-feira (4)
05/11/2026 19h54
Por: Luiz Peniza | Estagiário Fonte: Da redação

Cinco moradores de Rio Preto registraram ocorrências de estelionato envolvendo golpes aplicados por telefone e WhatsApp. As fraudes, relatadas à Polícia Civil entre terça-feira (3) e quarta-feira (4), causaram prejuízo informado de aproximadamente R$ 56 mil. Entre as vítimas estão idosos, trabalhadores e pessoas que aguardavam informações sobre processos judiciais.

Um dos golpes mais frequentes foi o do falso advogado. Em dois casos, os criminosos usaram informações sobre ações na Justiça para convencer as vítimas de que havia valores a receber e de que seria preciso fazer procedimentos bancários para liberar o dinheiro.

Falso advogado

Uma administradora de 60 anos, moradora do Residencial Jardins, recebeu uma mensagem de WhatsApp com foto e identificação visual semelhantes às de seu verdadeiro advogado, que atua em uma ação contra uma agência bancária. O interlocutor disse que o processo havia sido julgado favoravelmente e pediu os dados bancários para liberar o suposto pagamento.

Em seguida, ela recebeu a ligação de outro homem, que se apresentou como promotor de Justiça e confirmou informações sobre o processo. Orientada a acessar o aplicativo do banco e copiar um código, ela seguiu as instruções. Ao desconfiar, procurou o advogado verdadeiro e descobriu que não havia decisão favorável nem liberação de valores. Na conta, constatou um Pix de R$ 2.931, que saiu de uma conta jurídica e foi destinado a uma empresa identificada, por meio de uma instituição de pagamentos.

Outra vítima, uma operadora de 40 anos, moradora do bairro São Deocleciano, foi abordada com a promessa de receber valores de uma ação contra o plano de saúde, para a realização de procedimentos cirúrgicos. O golpista disse que a ação havia sido julgada procedente e que seria necessária uma validação junto ao Banco Central e à Receita Federal para evitar a cobrança de impostos. Ela recebeu links e foi orientada a inserir senhas e dados bancários.

Depois, começou a receber alertas do banco sobre movimentações atípicas. Ao consultar os extratos, identificou ao menos cinco operações que não reconheceu, entre Pix, uso de limite de crédito e cheque especial, nos valores de R$ 2.515, R$ 1.968, R$ 1 mil, R$ 327 e R$ 998, o que soma R$ 6.808. A vítima contestou as operações junto ao banco.

Falso funcionário de banco

Um idoso de 78 anos, morador do Jardim Canaã, perdeu R$ 15 mil após receber uma mensagem de WhatsApp de um homem que se apresentou como funcionário da agência onde tem conta. O caso aconteceu em 30 de outubro, mas foi registrado na terça-feira (3).

O criminoso alegou que terceiros tentavam acessar a conta e que seriam necessários procedimentos urgentes para proteger o dinheiro. Acreditando falar com um representante do banco, o idoso forneceu dados e informações de autenticação. Depois, percebeu que havia sido feito um Pix de R$ 15 mil. O banco registrou a contestação e abriu análise interna, com previsão de resposta em cerca de 15 a 20 dias. A vítima também relatou problemas no celular e a perda de parte das conversas com o suspeito.

Empréstimo e transferências

No bairro Terras de São José, uma empregada doméstica de 48 anos e o marido, um pedreiro de 46, foram vítimas de um golpe em que um homem se passou pelo advogado contratado por ela. A mulher aguardava contato do profissional quando recebeu a ligação de um desconhecido que usou a identidade dele. Em uma chamada de vídeo, o criminoso orientou procedimentos no aplicativo do banco e disse que seriam necessárias movimentações para liberar valores ligados ao processo e ao Imposto de Renda.

Sem perceber a fraude, a vítima contratou um empréstimo pessoal de R$ 1.300, a ser pago em seis parcelas de R$ 292,17, e fez um Pix de R$ 25 mil para uma pessoa física e outro de R$ 700 para uma empresa. Segundo o boletim de ocorrência, o prejuízo informado por ela foi de aproximadamente R$ 31.136. O criminoso ainda tentou orientar movimentações na conta do marido, mas o casal desconfiou e procurou o verdadeiro advogado. A confirmação do golpe interrompeu novas transferências.

Falso prêmio de R$ 44 mil

Uma empregada doméstica de 47 anos, moradora do Parque Estoril, perdeu R$ 204 após receber uma chamada de vídeo de um homem que usava identificação relacionada ao Cartão de Todos. Ele afirmou que ela havia sido contemplada com um prêmio de R$ 44 mil por manter os pagamentos do cartão em dia e, para dar credibilidade à história, disse ser ligado a um programa de televisão e indicou perfis em redes sociais.

A vítima recebeu um link e foi orientada a acessar o aplicativo do banco para liberar o prêmio. Ao seguir as instruções, fez um Pix de R$ 204 para uma empresa. O criminoso tentou convencê-la a usar outra conta para receber uma segunda parcela do suposto prêmio, mas familiares desconfiaram e interromperam o contato.

Investigação

Os cinco casos foram registrados como estelionato ou fraude eletrônica e serão apurados pela Polícia Civil. Os relatos têm em comum o uso de informações pessoais, a falsa identidade de profissionais ou de representantes de instituições e a pressão para que as vítimas façam procedimentos bancários.

Os prejuízos informados nos boletins somam cerca de R$ 56 mil, valor que considera as quantias relatadas pelas vítimas, incluindo o prejuízo estimado no caso em que houve contratação de empréstimo. A recuperação dos recursos depende da análise das instituições financeiras e das investigações policiais.