A trancista Joice Gonçalves Pedro, a Joice Nega Show, falou para cerca de 30 pessoas na tarde desta quinta-feira (27) no Centro de Convivência da Juventude (CCJ), em Rio Preto.
O evento “Meu Cabelo Fala Quem Eu Sou!” marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha (25/7), Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra (25/7) e Dia do Orgulho Crespo (26/7). A promoção é da Secretaria da Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial.
Na plateia, jovens atendidos pelo CCJ e pela Fundação Casa, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pessoas ligadas a movimentos negros e culturais e convidados. Ao final, participantes compartilharam histórias e experiências.
Enquanto falava sobre a beleza negra e contava relatos – alegres, tristes, comoventes e revoltantes -, Joice trançava os cabelos da irmã Daiana Gonçalves Pedro. “Estou muito emocionada hoje, pois estou aqui com a minha irmã, trançando seus lindos cabelos”, diz.
“Eu sou a voz da resistência pelos meus irmãos. Nosso cabelo, nossa cor, nossa boca e nosso nariz são lindos. Se é amor que você merece, então, se ame, se cuide. Eu tive a sorte de nascer negra”, afirma a trancista, cuja fala conclama mulheres e homens negros a se empoderarem e proclamarem a beleza dos corpos e cabelos afro.”
Após a roda de conversa, os participantes foram convidados por Joice a refletir e escrever o que já ouviram de outras pessoas sobre seus cabelos. Enquanto isso, as estudantes do curso de psicologia Júlia Carolina Monteiro e Yasmin Iara da Silva falaram sobre questões históricas ligadas ao tema.
A psicóloga Márcia Grassiano, responsável pelo Departamento de Promoção da Igualdade Racial (Depir), afirma que o Dia do Orgulho Crespo serve para validar a estética negra, ressaltar os traços afros, a autoaceitação e o empoderamento.
“Momentos como esse são de extrema importância. Sabemos qual é o problema, agora é necessário refletir e pensar em soluções. Não é aceitável piadinhas sobre o cabelo afro ou imposições sobre o cabelo ideal. Cada pessoa é única, portanto devemos respeitar as diferenças. Não há nada de errado na estética europeia, mas a questão fundamental é quando tentam imprimir essa única estética como bonita e bela de se ver.”
A ação teve a Associação de Reintegração Assistencial (ARA) como parceira.
Texto: Bianca Zaniratto/Secretaria de Comunicação
Fotos: Bianca Zaniratto/Pref. Rio Preto