O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) realizou trabalho científico, inédito no Brasil, sobre tratamento de crianças com erros inatos na imunidade. Trata-se do artigoUm ano de terapia de reposição de imunoglobulina intravenosa: eficácia na redução de internações hospitalares em pacientes pediátricos com erros inatos da imunidade, publicado no periódicoJornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), apresentado pela primeira vez pela imunologista Karina Mescouto aos profissionais do HCB.
“Este estudo é resultado de uma pesquisa de iniciação científica e reflete o trabalho feito no ambulatório de alergia e imunologia aqui do HCB. O objetivo era avaliar, em um ano, os pacientes que começaram a terapêutica de reposição de forma regular”, relatou Mescouto, que destacou que as conclusões do estudo foram positivas.
“Ressaltamos a redução importante no número de internações e dias de internação, tanto em enfermaria geral quanto na UTI”, explicou. A apresentação foi realizada recentemente no encontroBate-papo com o autor,no auditório Oscar Moren do HCB, evento que difunde o conhecimento científico produzido por profissionais do hospital. Estudos semelhantes já foram feitos no exterior, mas a pesquisa do Hospital da Criança de Brasília foi a primeira no Brasil.
“É um dado inédito na casuística brasileira. Não é uma novidade em termos de casuística internacional: isso é bem estabelecido, tanto que a imunoglobulina é indicada, mas não tínhamos, até o momento dessa publicação, nenhum dado que mostrasse a eficácia dessa terapêutica em crianças com deficiência de anticorpos aqui no Brasil”, afirmou a médica. A equipe chegou a esse resultado depois de avaliar 45 pacientes, acompanhando o tratamento pelo qual eles passaram e a forma como responderam à terapêutica da reposição de imunoglobulina, bem como as internações que foram necessárias.
A imunologista explicou que os erros inatos da imunidade se referem a mais de 400 doenças que, frequentemente, se caracterizam por problemas na produção de anticorpos e requerem o uso de imunoglobulina humana. Segundo Mescouto, as crianças com esse diagnóstico apresentam quadros de sinusite, otite e amigdalite que podem levar à necessidade de internação. O estudo confirmou, entretanto, que o uso regular da imunoglobulina intravenosa reduziu essas internações.
*Com informações do HCB