Um novo laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística de São Paulo reafirmou que o vice-prefeito e secretário de Obras de Rio Preto, Fábio Marcondes (PL), não utilizou expressão de cunho racial durante discussão com um segurança do Palmeiras. O episódio ocorreu em fevereiro deste ano, após partida entre Mirassol e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista.
Na ocasião, o segurança Adilson Antônio de Oliveira registrou boletim de ocorrência alegando que teria sido chamado de “macaco velho” por Marcondes, durante um tumulto após o jogo, em Mirassol.
A primeira perícia, feita com base em vídeo captado por uma equipe da TV Tem, já havia apontado que o político usou o termo “paca véa” — expressão que teria sido dita no momento da confusão. Agora, o laudo complementar, solicitado pelo delegado Renato Camacho, responsável pelo inquérito, confirmou o mesmo entendimento.
Segundo o novo parecer, assinado novamente pela perita Tatiana de Souza Machado, foi feita uma análise fonética detalhada do áudio. O relatório, com 36 páginas, traz gráficos e apontamentos técnicos sobre as falas registradas. Um dos trechos destaca que “não há registro da sílaba inicial [ma], tampouco da desinência final masculina”, o que inviabiliza a interpretação de que Marcondes teria dito “macaco velho”.
Defesa do Palmeiras contesta
Apesar da conclusão do Instituto de Criminalística, a defesa do Palmeiras contratou uma perícia particular, protocolada em 20 de maio, que sustenta que Marcondes teria, sim, dito “macaco velho”. O delegado analisa todos os documentos antes de concluir o inquérito.
Em depoimento à polícia, o vice-prefeito negou qualquer ofensa de cunho racial. Disse ainda que os xingamentos foram direcionados à equipe do Palmeiras de forma geral e não ao segurança em específico.
Reações
O advogado do segurança, Euro Filho, afirmou que o resultado do novo laudo não causa surpresa. “A partir do instante em que a perícia complementar foi solicitada à mesma perita que se manifestara anteriormente, o resultado não me surpreende”, declarou.
Já o advogado de Marcondes, Edlênio Xavier Barreto, informou, por meio de nota, que a defesa ainda não teve acesso oficial ao novo documento. “Independentemente do conteúdo que vem sendo veiculado publicamente, a defesa informa que se manifestará de forma técnica e nos autos, no momento oportuno. Reitera-se que Fábio Marcondes já prestou seus esclarecimentos às autoridades e nega, de forma categórica, a utilização de qualquer expressão de cunho racial”, conclui a nota.
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