A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar suspeitas de falsificação de assinaturas em atas de assembleias de um condomínio localizado no bairro Umuarama, em Araçatuba. A apuração envolve a aprovação de um projeto de instalação de energia solar avaliado em mais de R$ 200 mil, que teria sido autorizado sob circunstâncias contestadas por moradores.
O condomínio possui 832 apartamentos e, segundo os relatos, diversos proprietários registraram boletins de ocorrência ao identificarem seus nomes nas listas de presença de reuniões das quais afirmam não ter participado. Um dos casos que motivou a investigação foi o da contadora Adriana Martins, proprietária de um imóvel no local, mas residente em outra cidade. Ela teria sido informada por vizinhos que sua assinatura constava em documentos oficiais do condomínio, apesar de sua ausência.
De acordo com os moradores, o projeto de energia solar havia sido rejeitado em uma primeira votação. Menos de um mês depois, uma nova assembleia foi convocada pela administração, ocasião em que a proposta acabou aprovada. A legitimidade dessa segunda reunião é justamente o foco das investigações.
O advogado que representa o grupo de condôminos afirma que pelo menos dez moradores já procuraram a polícia. Segundo ele, uma análise preliminar das listas de presença aponta assinaturas com grafias semelhantes, o que reforça a suspeita de fraude documental.
Diante das denúncias, a execução do projeto foi interrompida. Conforme a defesa dos moradores, a síndica teria admitido que assinou por terceiros, alegando que a intenção era viabilizar melhorias para o condomínio, sem causar prejuízo financeiro. Ainda assim, os condôminos demonstram preocupação com o impacto das parcelas no orçamento do conjunto habitacional, que já enfrentaria dificuldades financeiras, além do desgaste institucional provocado pelo episódio.
O delegado Pedro Paulo Negri confirmou que o caso será apurado com rigor e que perícias grafotécnicas deverão ser realizadas para esclarecer os fatos. Caso a falsificação seja comprovada, a responsável poderá responder por falsidade ideológica, crime que prevê pena de até três anos de reclusão. Paralelamente, os moradores ingressaram com medidas judiciais para anular as assembleias e solicitar a destituição da atual gestão, alegando quebra de confiança e falta de transparência na administração do condomínio.
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