A formação técnica e a busca pela autonomia financeira transformaram a rotina de centenas de famílias campo-grandenses no primeiro semestre de 2026. Por meio de uma ação integrada entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) e instituições parceiras, 1.690 moradores concluíram cursos gratuitos de capacitação profissional descentralizados nos bairros da Capital.
A mobilização utilizou a estrutura das 21 unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para aproximar o ensino dos moradores. Em parceria com o Senai, a Fundação Social do Trabalho (Funsat), a Secretaria Executiva da Mulher (Semu) e o Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), as salas de atendimento social transformaram-se em espaços de aprendizado técnico, empreendedorismo e geração de renda.
Para a superintendente de Proteção Social Básica da SAS, Gizeli Motta, a presença das turmas nas comunidades elimina barreiras e gera inclusão produtiva. “A oferta dessas capacitações diretamente nos Cras assegura o acesso democrático à qualificação profissional para as famílias que mais precisam. Nosso objetivo é fornecer ferramentas técnicas e práticas que possibilitem a autonomia financeira e o desenvolvimento de potencialidades, transformando a realidade socioeconômica dos participantes a partir do conhecimento”, frisou a gestora.
A iniciativa representa um divisor de águas para quem busca recolocação. A estudante Jackeline Soriano da Silva encontrou a oportunidade ao comparecer ao Cras Vida Nova para atualizar o Cadastro Único. Desempregada, ela matriculou-se nas aulas de Panificação e Precificação. “Vi uma boa oportunidade para aprender, principalmente a parte de precificação, já que faço faculdade de RH e apresentava dificuldade em matemática. Aprendi os cálculos, sei fazer pães e esfirras e já planejo novas qualificações na unidade”, relatou.

A busca por economia doméstica também motiva os alunos. Frequentadora do Cras Jardim Aeroporto, Elenir Arruda inscreveu-se na formação de Marido de Aluguel, ministrada pelo Senai. “Fiz o curso para não precisar pagar profissionais, porque qualquer gasto faz falta no orçamento. A professora demonstrou muita paciência e ensinou com carinho. Saí de lá apta a fazer os serviços na minha casa, trocando tomadas e bicos de luz sozinha. É gratificante ver o município olhando para nós da melhor idade”, ressaltou.
O cronograma semestral abrangeu frentes estratégicas do mercado. No segmento de manutenção, os moradores acessaram noções de ar-condicionado, elétrica predial, hidráulica e energia fotovoltaica. As turmas de tecnologia mergulharam no aprendizado de Pacote Office, Excel Avançado, Inteligência Artificial e Empreendedorismo Digital. O setor produtivo contou ainda com gestão de estoque, almoxarifado, confeitaria, corte e costura, além de orientações em finanças familiares e primeiros socorros.
As mulheres contaram com atenção especial por meio do programa CG Delas, em cooperação com a Semu. A grade disponibilizou capacitações em artesanato, crochê, manicure, tranças, oratória e secretariado. Mãe de quatro filhos, a aluna Isabel Arruda Ribeiro concluiu a qualificação de Tranças no Cras Canguru e conquistou a independência laboral. “Esse curso abriu as portas para eu trabalhar para mim mesma, organizando meus horários para dedicar tempo à minha casa e aos meus filhos. Aprendi técnicas novas e já estou atuando no mercado”, comemorou.
A empregabilidade formal ganhou reforço com o Programa Mulheres Mil, executado em parceria com a Funsat para beneficiadas do Cadastro Único. A vertente disponibilizou qualificações noturnas para assistente administrativo, cuidador infantil, cuidador de idosos, recepcionista e atendente de farmácia, conectando as alunas certificadas diretamente às vagas disponíveis no mercado de trabalho da Capital ao final das atividades.
#PraTodosVerem: A imagem em destaque mostra alunas no curso de panificação ofertado no Cras
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