A saúde mental da pessoa idosa pode ser afetada diante de alterações na rotina de socialização e na capacidade de realizar atividades diárias de forma independente. Mudanças como o fim da rotina de trabalho, após a aposentadoria, e o declínio da funcionalidade estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais, como a depressão.
O envelhecimento, principalmente após os 65 anos, pode representar um período de adaptação importante para a saúde mental da pessoa idosa. O encerramento da carreira profissional e a perda de autonomia, muitas vezes relacionadas a doenças crônicas ou dificuldades de mobilidade, expõem a pessoa idosa a vulnerabilidades como a solidão e a baixa autoestima. Diante desses desafios, os idosos também podem apresentar falta de energia, alteração no sono ou no apetite e perda de interesse por atividades que antes faziam parte do dia a dia, como se exercitar, cozinhar ou ir ao mercado. Esses comportamentos podem indicar adoecimento mental.
Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) explicam que o acolhimento familiar e a busca por tratamento qualificado são essenciais para lidar com quadros emocionais nessa população. Para a psiquiatra do Iamspe, Heloísa Batistussi, a redução da funcionalidade e da motivação contribui para o isolamento e para a sensação de perda de propósito. “Isso gera sentimento de inutilidade e falta de conexão com o outro. Para muitos, a socialização ocorre pelo trabalho, o que muda ao se aposentar. O paciente deixa de ver perspectiva de futuro, de viver o presente e tem a sensação de que a vida já foi vivida”, explica.
A especialista reforça que a união familiar é essencial para que o idoso não se sinta desamparado. “A família tem um papel importante de ouvir essa pessoa, acolher sua angústia e ajudá-la a se conectar com o mundo atual”. Um meio de fazer isso é por meio de atividades que promovam a socialização, como um almoço de domingo entre familiares e amigos, programações em grupo ou a criação de uma rotina em que o idoso se sinta mais ativo e envolvido nas tarefas de casa. A realização de atividades físicas também ajuda a prevenir o desenvolvimento de depressão e outros transtornos mentais.
Batistussi destaca que procurar ajuda profissional é fundamental. O tratamento é realizado por meio de uma abordagem multidisciplinar e envolve acompanhamento médico, psicoterapia, atividade física, terapia ocupacional e medicamentosa, além do desenvolvimento de hobbies, principalmente aqueles que promovem a socialização. Alguns exemplos são clubes de leitura, aulas de dança sênior ou grupos de artesanato. “Sentir-se conectado, aprender novas atividades que estimulem o cognitivo e ter momentos de lazer são maneiras muito importantes de proteger a saúde mental da pessoa idosa”, conclui.
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