
A pesquisa também faz parte dos estudos produzidos no Laboratório de Biologia Molecular Microbiana (Labmom). A tese surgiu a partir do contexto climático atual do planeta, como conta Douglas. “A ideia surgiu a partir de uma lacuna importante na literatura: embora já se soubesse que microrganismos do solo são fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas florestais, ainda havia pouca compreensão sobre como a composição de espécies arbóreas influencia diretamente as comunidades bacterianas, especialmente em florestas tropicais”. Segundo o orientador, Rafael Etto, a escolha do Parque Nacional do Iguaçu foi fundamental para a elaboração da pesquisa. “O parque apresenta um gradiente edafoclimático [variação gradual e contínua nas características do solo e do clima em uma região] bem definido, com variações de altitude, solo e vegetação. Outro ponto essencial foi que não existiam estudos específicos caracterizando as comunidades bacterianas do solo do Parque, o que abriu uma oportunidade científica inédita” comenta o professor.
O estudo também mostrou que espécies arbóreas de estágios avançados de sucessão ecológica, que demandam alta luminosidade, estão intimamente associadas à ciclagem microbiana [processo onde microrganismos (bactérias e fungos) decompõem matéria] de carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo. “Os resultados oferecem uma base científica para orientar políticas públicas de conservação, manejo sustentável e restauração florestal, reforçando a importância de se preservar e priorizar essas espécies nativas em programas de reflorestamento no Sul do Brasil”, afirma Etto.

“Outro ponto importante foi o apoio internacional dos professores Matthias Rillig e Daniel Lammel, da Freie Universität Berlin, que receberam o Douglas para um estágio sanduíche na Alemanha, experiência que aproximou os pesquisadores do Labmom da UEPG e do grupo do Dr. Rillig na busca por respostas globais para os novos desafios do século XXI”, complementa Etto.
O trabalho foi financiado pelo Napi Biodiversidade: Restore, que tem como meta a restauração florestal, especialmente na Mata Atlântica, enfrentando desafios impostos pelas mudanças climáticas, utilizando soluções baseadas na natureza; e pelo INCT Biotecnologia de Precisão Aplicada à Interação Planta-Bactéria-Ambiente, que visa desvendar mecanismos moleculares de interações benéficas entre plantas e microrganismos. O artigo completo pode ser lido aqui.
Texto e fotos: Gabriel Ribeiro


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