
É o que diz a própria Maria Cheung, durante a abertura oficial das exposições, ocorrida na última sexta-feira (15). “Todo o meu trabalho é de reflexão. Principalmente dos pés, dos binis de ouro e dos pequenos caixões. Eles falam principalmente das mulheres que são negligenciadas ou não respeitadas”, explica. Segundo Maria, provocar esse tipo de reflexão e trazer também uma certa poética com os discos, que representam o céu, a terra e a perfeição celeste. “É um mergulho para dentro de mim mesma”, finaliza.
A curadoria da exposição ficou por conta da professora Patrícia Camera, responsável pela Divisão de Arte e Cultura da Proex. Segundo ela, o processo teve início com uma visita ao estúdio da artista Maria Cheung, o que proporcionou a realização de uma entrevista e o contato direto com suas obras. “Essa proximidade contribuiu para um aprofundamento no conhecimento sobre seu processo criativo, que está intimamente vinculado às suas vivências pessoais, aos deslocamentos culturais e às suas lembranças de infância. Tais narrativas foram traduzidas visualmente, o que potencializou sua arte como um documento simultaneamente histórico e afetivo”, afirma.



Ela conta ainda que as obras expostas na UEPG fazem parte de cinco séries da artista: Regresso, Fósseis de Mim, Nui, Nui Toi e Tao. “A proposta central é que o visitante conheça a amplitude da produção da artista e as relações existentes entre cada série. No caso das duas instalações montadas na Reitoria e na Biblioteca (Bicen), o objetivo é trazer esses elementos visuais para um espaço de deslocamento, permitindo que a obra dialogue com a memória, a identidade e a imaginação de Maria Cheung”, garante a professora Patrícia.
Abertura da exposição contou com um bom público
Toda abertura de exposição é uma oportunidade de ter contato direto com a artista e entender um pouco mais do processo criativo dela. Além de um bom público, participaram também da abertura o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, a pró-reitora da Proex, professora Beatriz Gomes Nadal, e os secretários municipais da Cultura, Alberto Portugal, e da Família e Desenvolvimento Social, Camila Calisto Sanches.



“Na escrita de um livro sobre a tríplice fronteira, que se chama Viagem à Foz, eu fiz várias pesquisas em diversas áreas: cultural, empresarial, histórica. Uma das pessoas que eu conheci foi a artista Maria Cheung, que representava muito o que eu queria colocar no livro, que é a ideia de uma fronteira que pode ser cruzada, que une pessoas e não separa pessoas”, explica Sanches Neto, que foi quem sugeriu que a Proex realizasse uma exposição sobre a artista. 
Segundo ele, outra questão interessante no trabalho da Maria foi essa busca das origens autobiográficas e principalmente a representação da mulher. “Da artista enquanto mulher, representando mulheres dentro de uma cultura, que é a cultura chinesa, em que havia uma invisibilidade muito grande da figura feminina”, completa.
Serviço
Exposição Maria Cheung: entre símbolos e memórias
Data: até 26 de junho
Locais: Galeria da Proex, Praça Mal. Floriano Peixoto, 129; Hall da Reitoria e Biblioteca Central, Campus Uvaranas
Texto: Tierri Angeluci / Fotos: Tierri Angeluci e João Pimentel





























































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