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Cidades Fernandópolis

Secretaria promove capacitação no Projeto “Saúde do Negro”

A Secretaria Municipal de Saúde destacou que ações de capacitação como essa fazem parte de um processo contínuo de atualização dos profissionais da rede pública

23/06/2026 13h46
Por: Da Redação
Secretaria promove capacitação no Projeto “Saúde do Negro”

A capacitação promovida pela Secretaria Municipal de Saúde de Fernandópolis, por meio da Coordenadoria do Projeto “Saúde do Negro”, reuniu profissionais da rede pública para discutir um tema de grande relevância para a saúde coletiva: a necessidade de um atendimento cada vez mais qualificado, humanizado e adequado às especificidades da população negra. O encontro foi realizado na última sexta-feira (19), no auditório da Universidade Brasil, campus Fernandópolis, e contou com a participação de médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e demais profissionais envolvidos na atenção básica.

A iniciativa integra as ações da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, criada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de promover a equidade no atendimento, reduzir desigualdades históricas e ampliar o acesso a diagnósticos, tratamentos e cuidados específicos para doenças que apresentam maior incidência ou características particulares nessa parcela da população.
Durante a programação, os participantes acompanharam palestras e orientações técnicas voltadas ao aprimoramento do atendimento prestado nas unidades de saúde do município. A principal exposição foi conduzida pela hematologista e hemoterapeuta Dra. Sabrina da Silva Saraiva Mancolin, que também atua como preceptora da Clínica Médica da Santa Casa de Votuporanga e médica responsável pela Faculdade de Medicina da Universidade Brasil.
Em sua apresentação, a especialista abordou aspectos clínicos e epidemiológicos relacionados às principais doenças que afetam a população negra, destacando a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento contínuo e da capacitação permanente das equipes de saúde. Entre os temas discutidos esteve a anemia falciforme, considerada uma das doenças genéticas hereditárias mais frequentes no Brasil e que apresenta maior incidência entre pessoas negras devido à sua origem genética ligada à ancestralidade africana.

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A capacitação também contou com a participação de Rosimeire Hernandes, responsável pelo Laboratório Regional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Fernandópolis. Ela apresentou aos profissionais os exames disponibilizados pela unidade regional, esclarecendo fluxos de atendimento, critérios para solicitação e procedimentos laboratoriais realizados tanto pelo laboratório local quanto pelo laboratório da Santa Casa de Fernandópolis, todos ofertados gratuitamente por meio do SUS.
Segundo Rosimeire, a ampliação do conhecimento dos profissionais sobre a rede laboratorial é fundamental para agilizar diagnósticos e garantir que pacientes com suspeitas de doenças específicas recebam acompanhamento adequado desde os primeiros atendimentos realizados na atenção básica.
Combate às desigualdades em saúde
Um dos principais focos do encontro foi a discussão sobre as desigualdades que ainda impactam a população negra no acesso aos serviços de saúde e nos indicadores de qualidade de vida. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que pretos e pardos representam aproximadamente 55,5% da população brasileira. Apesar de constituírem a maioria do país, estudos epidemiológicos demonstram que esse grupo enfrenta índices mais elevados de diversas doenças e condições crônicas.

Entre os agravos mais frequentes estão as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), especialmente a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM), além de doenças genéticas como a anemia falciforme. Fatores biológicos, genéticos, sociais e econômicos contribuem para esse cenário, exigindo estratégias específicas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
De acordo com especialistas da área, a promoção da equidade em saúde não significa oferecer tratamentos diferentes, mas sim reconhecer que grupos populacionais distintos possuem necessidades específicas que precisam ser consideradas para que o atendimento seja realmente eficaz. Esse conceito está alinhado aos princípios do SUS, que busca garantir acesso universal, integral e igualitário aos serviços de saúde.
Importância da autodeclaração racial

Outro tema amplamente debatido durante a capacitação foi a importância da coleta adequada da informação sobre raça e cor nos cadastros realizados pelos agentes comunitários de saúde. A medida é considerada estratégica para o planejamento de políticas públicas e para a identificação mais precisa do perfil epidemiológico da população atendida.
Segundo a coordenadora do Projeto Saúde do Negro, Joseane Vanzea, a autodeclaração racial permite que os gestores compreendam melhor as necessidades da população e desenvolvam ações mais eficientes de prevenção e cuidado.
“Embora seja evidente que o atendimento em saúde deva ser ofertado de forma equânime para todos, a efetividade dos tratamentos e das políticas públicas depende do reconhecimento das diferenças existentes entre os diversos grupos populacionais. Por isso, é fundamental que os cadastros realizados pelos agentes comunitários incluam a autodeclaração de cor ou raça feita pelo próprio cidadão”, destacou.
A coordenadora ressaltou ainda que a informação correta nos sistemas de saúde contribui para a produção de dados mais confiáveis, permitindo a elaboração de estratégias direcionadas para reduzir desigualdades e fortalecer a assistência à população negra.
Formação contínua dos profissionais

A Secretaria Municipal de Saúde destacou que ações de capacitação como essa fazem parte de um processo contínuo de atualização dos profissionais da rede pública. O objetivo é garantir que médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários estejam preparados para reconhecer fatores de risco, identificar precocemente doenças e oferecer um atendimento cada vez mais humanizado e baseado em evidências científicas.
Além de ampliar o conhecimento técnico das equipes, encontros dessa natureza fortalecem a integração entre os diferentes setores da saúde pública, promovendo uma assistência mais eficiente e alinhada às necessidades reais da população.
Com iniciativas voltadas à educação permanente, Fernandópolis busca consolidar uma rede de atenção mais inclusiva, qualificada e comprometida com a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a redução das desigualdades que ainda afetam milhares de brasileiros.

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