Desde o início da atual gestão, o prefeito João Paulo Cantarella determinou o combate rigoroso a qualquer tipo de desperdício. O alvo principal dessa iniciativa foi o almoxarifado central, setor por onde passa a maior parte dos materiais do município. A partir dessa diretriz, itens como móveis, aparelhos de ar-condicionado, eletrodomésticos e equipamentos sofisticados — a exemplo de desfibriladores e cardiotocógrafo — passaram a ser recuperados.
Um cardiotocógrafo, (que serve para monitorar a frequência cardíaca do feto) cujo valor de mercado é de R$ 45.000,00, voltou a operar após um conserto de apenas R$ 1,00. Medidas eficientes como essa já proporcionaram uma economia total de R$ 402.000,00 aos cofres públicos. O responsável pelo projeto, João Carlos Rodrigues Monção Júnior, considera o montante uma economia substancial.
Ele e seus dois auxiliares adotaram uma premissa clara: nada vai para o lixo se houver chance de recuperação. Apenas com a manutenção de cadeiras, a economia já ultrapassa R$ 53.000,00.

Devido à criatividade e à capacidade de resolução, os servidores que conhecem o trabalho do trio apelidaram o local de "Oficina do Professor Pardal", em referência ao famoso inventor dos quadrinhos. Focada em resultados, a oficina acumula recordes de reparos. A equipe conserta praticamente tudo, com exceção de equipamentos de informática, que são encaminhados para a avaliação do Centro de Processamento de Dados (CPD) da prefeitura.
Na área de climatização, a recuperação de aparelhos de ar-condicionado gerou uma economia superior a R$ 50.000,00. Esse mesmo valor poupado também foi registrado com o conserto de ventiladores de parede. De acordo com o coordenador, um material só é descartado quando não há nenhuma possibilidade de reparo ou quando sua vida útil está completamente esgotada.
Os profissionais da oficina não medem esforços para encontrar soluções. Os equipamentos dos postos de saúde, por serem de alta urgência, recebem atenção prioritária. Embora possuam tecnologia sofisticada, muitos desses aparelhos demandam intervenções simples, como a troca de um fusível de R$ 1,00.
Entre os exemplos de sucesso, destaca-se uma centrífuga laboratorial avaliada em R$ 5.500,00, que voltou a funcionar com um investimento de R$ 220,00. Além disso, dois desfibriladores — essenciais para salvar vidas em casos de arritmia cardíaca — que custam R$ 8.500,00 cada, foram recuperados por apenas R$ 2,00.
Por disposição legal, os materiais sujeitos ao tombamento patrimonial possuem valor a partir de R$ 455,00. Contudo, mesmo os itens abaixo desse patamar são fiscalizados e reaproveitados à medida que novas peças de reposição chegam. Uma mesa que seria descartada, por exemplo, voltou a atender a um setor do município após o gasto de R$ 2,00 em parafusos. "Aqui nada se perde, tudo se transforma", afirma Júnior, parafraseando a famosa lei do químico francês Antoine Lavoisier sobre a conservação das massas.
No serviço público municipal, essa transformação se traduz em respeito ao dinheiro do contribuinte. A expectativa da administração é que, até o final do mandato do prefeito João Cantarella, a oficina alcance uma economia histórica de cerca de R$ 1.000.000,00. Todo esse esforço foi reconhecido pela Câmara de Fernandópolis, que elaborou uma moção de aplausos aos responsáveis.
O trabalho não para. Visando o futuro, o coordenador projeta a contratação de novos profissionais e o oferecimento de cursos de capacitação para a equipe atual, com foco em áreas como refrigeração.
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