Entre todos os emblemas do esporte, nenhum possui tamanha relevância e magnetismo quanto o prêmio concedido à seleção que vence o principal torneio de seleções do planeta. Diante de tanto brilho e prestígio, uma dúvida bastante comum costuma pairar entre os entusiastas do esporte: afinal, a taça da Copa do Mundo FIFA™ é feita de ouro puro e maciço? A atual condecoração máxima do futebol internacional, que é erguida pelos atletas vitoriosos a cada quatro anos, foi adotada na década de 1970.
Ao longo do tempo, mitos sobre a sua composição exata ganharam força nas discussões populares. Contudo, análises técnicas, relatórios de joalheria e dados da própria Federação Internacional de Futebol trazem à tona os fatos reais sobre a estrutura metalúrgica que compõe o objeto mais desejado pelas federações esportivas globais.
Além de uma obra de arte, uma tradição de décadas
O atual troféu surgiu no início da década de 1970 pelo prestigiado escultor italiano Silvio Gazzaniga. A partir daí, desde o mundial de 1974, realizado no que era então a Alemanha Ocidental, a taça oficial da Copa do Mundo é fabricada pela empresa GDE Bertoni, uma pequena fábrica localizada em Paderno Dugnano, uma cidadezinha a poucos quilômetros de Milão.
A empresa foi fundada no início do século XX como uma pequena fabricante artesanal de medalhas e objetos artísticos, que eram muito procurados na época. Desde os Jogos Olímpicos de Roma de 1960, a GDE também produz medalhas para as edições subsequentes.
A verdadeira composição do troféu atual
A composição do atual troféu indica que a liga metálica possui um teor de 75% de ouro puro combinado com 25% de outros metais de liga, uma proporção comumente utilizada na alta joalheria para garantir maior resistência e durabilidade estrutural à peça.
Os dados oficiais apontam que a estrutura física possui uma altura total de 36,8 centímetros e apresenta um diâmetro de base correspondente a 13 centímetros. Na base circular da peça, existem duas camadas horizontais verdes confeccionadas em malaquita. A malaquita consiste em um mineral de cobre semiprecioso que confere o contraste estético característico ao design do troféu.
Conforme o relatório técnico disponibilizado pela própria Federação Internacional de Futebol (FIFA), entidade máxima do futebol, o peso total registrado do troféu é de exatos 6,175 quilos, englobando todos os materiais constituintes. Desse montante geral, cerca de 4,9 a 5 quilos são formados pelo puro ouro 18 quilates.
Para Igor Ferreira, especialista em ouro 18k da joalheria Fábrica do Ouro, o charme e o simbolismo do troféu está na imponente coloração amarela que o ouro 18k produz.
"A fascinante beleza do ouro 18 quilates reside no equilíbrio perfeito de sua liga. Ao combinar 75% de ouro puro com metais nobres como a prata e o cobre, preservamos a riqueza do metal sem as fragilidades do ouro puro. O resultado é uma coloração amarela profunda, calorosa e imponente, que reflete a luz com uma intensidade incomparável. É um tom que evoca nobreza imediata e que, diferentemente de ligas de menor teor, não empalidece com o tempo, mantendo vivo o seu brilho magnético por gerações", afirma Igor.
O mistério do interior oco e a física do objeto
Apesar de a entidade máxima do futebol utilizar rotineiramente termos comerciais que sugerem um modelo totalmente preenchido, a física e a engenharia apontam para uma realidade distinta. De acordo com análises publicadas por canais científicos de verificação de fatos e detalhadas pelo canal World Soccer Talk, se o objeto possuísse uma estrutura totalmente maciça de ouro ao longo de toda a sua extensão, o peso final seria excessivamente elevado. Cientistas e químicos renomados estimam que um bloco compacto daquele tamanho feito puramente de ouro alcançaria uma massa variando entre 70 e 80 quilos devido à alta densidade do elemento químico.
Com uma massa dessa magnitude, seria fisicamente inviável que os capitães das equipes e os jogadores erguessem a peça acima da cabeça durante as tradicionais cerimônias de premiação nos estádios.
Consequentemente, relatórios estruturais de engenharia comprovam que o troféu é oco em seu interior. Essa técnica de fundição, conhecida historicamente como cera perdida, é utilizada pela GDE Bertoni e explicada em reportagens especiais da Made in Italy Community. O espaço interno vazio possibilita que o peso total seja mantido na marca acessível de 6,1 quilos, permitindo o manuseio seguro e durante as comemorações pelos atletas vitoriosos após o encerramento das partidas decisivas.
"A escolha do ouro para forjar o troféu máximo do futebol transcende o seu indiscutível valor comercial; trata-se de uma decisão fundamentada na física dos materiais e no simbolismo. O ouro é um elemento imutável: ele não oxida, não corrói e resiste à ação do tempo de maneira soberana. Para um prêmio que coroa a imortalidade esportiva, nenhum outro material seria tão digno", conclui Ferreira.
A transição histórica: Da Jules Rimet ao modelo atual
Antes da introdução do modelo projetado por Silvio Gazzaniga na edição de 1974 na Alemanha Ocidental, o prêmio concedido era a célebre Taça Jules Rimet. Esse primeiro troféu possuía características artísticas e metalúrgicas completamente diferentes da atual identidade visual do torneio. De acordo com o arquivo histórico oficial da FIFA / Jules Rimet History, a Jules Rimet exibia a figura alada da deusa romana da vitória, Nice, e sua composição estrutural consistia em prata de lei (prata esterlina) revestida por uma camada externa de ouro.
Diferente do regulamento atual, as diretrizes daquela época previam que a primeira seleção nacional que alcançasse o tricampeonato mundial ganharia o direito de reter a posse da taça de forma permanente. Esse feito histórico foi atingido pela Seleção Brasileira no ano de 1970, durante a edição realizada no México. Com isso, o objeto original foi transferido para a sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), localizada no Rio de Janeiro.
No entanto, o prêmio histórico acabou sendo roubado das dependências da confederação no ano de 1983 e, conforme reportagens da época, os criminosos derreteram a estrutura preciosa, impossibilitando sua recuperação até os dias atuais.
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