O mercado de trabalho brasileiro atravessa um período de ocupação elevada, criando novos desafios para empresas que precisam contratar e reter profissionais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, ante 6,2% no mesmo período de 2025. A população desocupada foi estimada em 6,1 milhões de pessoas.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que alguns segmentos ampliam a ocupação. Transporte, armazenagem e correio registraram crescimento de 3% no número de trabalhadores frente ao trimestre anterior, com acréscimo de 177 mil pessoas. Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 4%, equivalente a 236 mil ocupados a mais, de acordo com o IBGE.
Nesse cenário, empresas de recrutamento e gestão de mão de obra vêm revendo estratégias para atrair profissionais e atender à demanda de setores intensivos em contratação. A Gi Group, por exemplo, administrou mais de 15 mil vagas temporárias e admissões no Brasil em 2025 e registrou, no primeiro semestre de 2026, volume de vagas equivalente ao apurado durante todo o ano anterior. Para 2026, a companhia projeta crescimento de cerca de 50%.
Entre os setores que concentram a demanda estão logística, comércio eletrônico, agronegócio, indústria, educação, saúde, hospitalidade e serviços. No caso da logística e do comércio eletrônico, mesmo com o avanço da automação, atividades como movimentação, separação, armazenagem e distribuição de mercadorias continuam demandando contingentes de trabalhadores.
"Estamos vivendo uma expansão importante do e-commerce, com empresas disputando eficiência e prazos de entrega cada vez menores. Para que essa estrutura funcione, é necessário um grande contingente de profissionais operacionais", afirma Ana Britto, diretora da Gi Group, responsável por soluções de recrutamento, seleção e gestão de mão de obra temporária e efetiva.
A combinação entre maior ocupação e transformação das expectativas dos trabalhadores também tem levado empresas do setor a investir em novas formas de recrutamento. Tecnologia, inteligência artificial, redes sociais e ferramentas digitais passam a dividir espaço com iniciativas presenciais de aproximação com candidatos. No caso da Gi Group, uma das ações adotadas é uma unidade móvel de recrutamento, denominada Gi Sobre Rodas, que leva processos seletivos a regiões onde candidatos podem encontrar dificuldades de acesso aos canais digitais ou aos escritórios da companhia.
As mudanças no mercado também estão relacionadas ao novo posicionamento global adotado pela Gi Group em 2026. A companhia passou por uma reformulação de identidade e adotou o conceito "Smarter Proximity", que busca combinar tecnologia, especialização e relacionamento humano nos processos de recrutamento.
"Tecnologia e inteligência artificial são fundamentais para dar escala e eficiência aos processos, mas, no fim do dia, o recrutamento continua sendo uma relação entre pessoas. A combinação entre ferramentas tecnológicas, conhecimento especializado e entendimento das necessidades de candidatos e empresas ganha importância nesse cenário", ressalta Britto.
A estratégia de expansão da companhia no Brasil inclui abertura de escritórios, ampliação da equipe e investimentos em tecnologia, além do crescimento em setores com demanda por trabalhadores temporários e efetivos. A expectativa da empresa é dobrar de tamanho nos próximos três anos em sua operação de recrutamento e gestão de mão de obra.
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