Em uma das cidades mais verticalizadas do Brasil, o alto luxo começa a ganhar força onde os arranha-céus são proibidos. As praias do Estaleiro e do Estaleirinho, em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, vivem uma lógica oposta à da Praia Central. Com baixa densidade, áreas de Mata Atlântica preservadas e regras de construção mais restritivas previstas pelo Plano Diretor da cidade, com limite de até três pavimentos, a região se tornou uma das áreas mais raras do mercado imobiliário catarinense.
O contraste ajuda a explicar o interesse crescente de investidores e compradores de alta renda por uma região ainda pouco explorada nacionalmente. A poucos minutos da orla com super prédios e próxima de Itapema, a costa sul de Balneário Camboriú reúne praias com perfil mais reservado e maior contato com a natureza. Em alguns empreendimentos de luxo previstos para a região, o metro quadrado tem potencial de alta valorização e pode ultrapassar os R$ 100 mil, valor associado à combinação entre localização e limite físico para novos projetos.
Um dos exemplos disso é o Ená, empreendimento frente-mar na Praia do Estaleiro, com projeto assinado por Jayme Bernardo. Uma unidade de 579 m² privativos, de alto padrão e com piscina privativa, está anunciada por cerca de R$ 33,1 milhões. O projeto aposta em um modelo mais exclusivo, com poucas unidades, integração com a paisagem e proposta voltada a um público que busca privacidade, sofisticação e contato direto com o mar.
Para o corretor de imóveis e especialista em mercado imobiliário de luxo, Bruno Cassola, a região deve passar por uma mudança de percepção nos próximos anos. "O Ená é um dos projetos que vai impactar esse mercado, porque une um padrão muito elevado a uma das praias mais bonitas do país. Os clientes que levo até lá se surpreendem justamente com essa combinação entre Mata Atlântica preservada, pé na areia e proximidade com Balneário Camboriú e Itapema", afirma o CEO da IBC Imobiliária. Segundo ele, a chegada de projetos assinados por arquitetos de renome também deve colocar as praias do Estaleiro e Estaleirinho entre os endereços mais exclusivos do litoral catarinense.
Além da compra de apartamentos em empreendimentos de alto luxo, Cassola vê oportunidade também na aquisição de terrenos para futura negociação com incorporadoras. "É uma região onde terrenos tendem a ganhar cada vez mais valor porque existe limite físico e urbanístico para novos projetos. Em alguns casos, o investidor compra um terreno hoje e, no futuro, pode negociar uma permuta com uma construtora, ficando com uma participação do empreendimento. É uma forma de transformar um ativo escasso em um ganho muito maior no médio e longo prazo", explica.
Para o especialista, Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras e Taquarinhas ainda não receberam a atenção proporcional ao potencial que têm dentro do corredor imobiliário mais valorizado do litoral catarinense. "Quem comprar agora vai capturar uma curva expressiva de valorização nos próximos anos", diz.
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