A Comissão de Agropecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) promoveu, nesta terça-feira (15), uma audiência pública para discutir os gargalos no escoamento da produção agrícola rondoniense, especialmente pelos portos da hidrovia do Rio Madeira, em Porto Velho. O debate reuniu autoridades estaduais, representantes do setor produtivo, empresas exportadoras e órgãos federais para buscar soluções conjuntas diante do cenário crítico enfrentado pelos produtores rurais.
O debate foi motivado pela recente repercussão nacional de longas filas de caminhões, que ultrapassam mil veículos, aguardando por dias para descarregar grãos nos portos locais situação que tem gerado prejuízos e provocado a elevação nos custos logísticos.
O representante da Aprosoja, Victor Paiva, destacou o crescimento acelerado da produção agrícola no estado e a falta de estrutura para acompanhar esse avanço. “Há duas safras, estávamos com 560 mil hectares de soja. Hoje estamos fechando perto dos 700 mil. A logística não está acompanhando esse crescimento. Um produtor me relatou que perdeu 700 hectares de soja. Isso mostra o quanto precisamos avançar”, afirmou.
Paiva também criticou o desequilíbrio no transporte: “A frota de caminhões da Amaggi acaba priorizando suas cargas e deixando produtores independentes para trás. Se houver isonomia nesse processo, já ajudaria bastante”.

O deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos) chamou atenção para a importância da discussão sobre a privatização da BR-364 e da própria hidrovia do Madeira. “Os olhos estão voltados para a BR, mas pouco se fala da privatização do Rio Madeira, que já é operado por empresas privadas. Se estamos falando em escoar grãos, é evidente que o rio precisa estar nessa pauta”, afirmou. Ele também parabenizou a deputada Cláudia de Jesus pela iniciativa. “É raro vermos esse tipo de atitude, de ouvir todos os setores antes de tomar decisões”, declarou.
A deputada estadual Cláudia de Jesus reforçou a gravidade da situação enfrentada pelos produtores. “Há agricultores que esperam até cinco dias para conseguir descarregar a produção. Precisamos de soluções rápidas e concretas para evitar esse tipo de situação desumana. Nossa comissão está aqui justamente para ajudar nesse enfrentamento”, afirmou.

O diretor presidente da Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (Soph), Fernando Parente, explicou que a movimentação nos portos ocorre 24 horas por dia, mas admitiu que a estrutura ainda é deficitária. “Recebemos a Aprosoja e já iniciamos reuniões com o governo estadual. Estamos trabalhando para regularizar áreas no porto e liberar um espaço de 22 mil m² que será destinado à armazenagem de grãos”, revelou.
Já o representante da Secretaria de Finanças (Sefin), Antônio Carlos, anunciou que será criado um corredor específico para escoamento de grãos, com a designação de um servidor exclusivo para acompanhar o fluxo. “Vamos buscar agilizar esse processo de forma célere e diferenciada para atender à demanda”, garantiu.
Pelo lado da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o representante Rodrigo alertou para a falta de consulta formal sobre restrições de tráfego. “Não fomos devidamente consultados. Estamos aqui para contribuir com dados, inclusive com relatórios de acidentalidade que podem ajudar no planejamento logístico na capital”, resumiu.
O secretário-adjunto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), Avenilson Trindade, lembrou que a demanda por alimentos no mercado internacional, especialmente da Ásia, tem aumentado a pressão sobre a produção brasileira. “Rondônia está nesse cenário. A exportação gera empregos, e estamos negociando com três grupos que pretendem investir na região. Queremos acelerar esse processo para dar uma resposta rápida ao setor”, afirmou.

Ao final, a deputada estadual Cláudia de Jesus reforçou a necessidade de integração entre os poderes públicos, produtores e empresas privadas para superar os desafios logísticos que afetam diretamente a economia do estado. A Comissão de Agropecuária da Alero se comprometeu a acompanhar as medidas e articular novas reuniões para garantir que as soluções debatidas se transformem em ações concretas.
“Acreditamos que nas próximas safras já veremos impactos positivos, se o poder público continuar somando esforços com os produtores. Rondônia não pode parar por falta de planejamento logístico”, concluiu a parlamentar.
Texto: Alexandre Almeida | Jornalista
Fotos: Thyago Lorentz | Secom ALE/RO
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