Pelo menos 87 vetos presidenciais trancam a pauta de votações do Congresso e aguardam deliberação de senadores e deputados neste segundo semestre de 2026. Ao todo, tramitam na Casa 97 vetos.
Entre os que trancam a pauta, estão os vetos a trechos do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias ( LDO 2026 ) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano. Além da economia, os dispositivos rejeitados pela Presidência da República abarcam temas como saúde, educação, trabalho, segurança e políticas sociais, entre outros.
A última sessão conjunta para análise de vetos ocorreu em maio deste ano. Outra sessão, que estava prevista para o dia 18 de junho, foi cancelada por falta de acordo entre as lideranças. À época, o presidente do Senado e do Congresso, senador Davi Alcolumbre, disse que tentaria reunir senadores e deputados para a deliberação de vetos antes do recesso parlamentar, o que não foi possível.
O adiamento é resultado de muitos pontos de divergência. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), havia conseguido retirar de pauta itens com impacto fiscal, como matérias que tratam de reajuste salarial e da LDO, ou temas polêmicos.
— Sessão do Congresso Nacional para apreciação de vetos é sempre uma sessão de acordos. Para construir o melhor acordo, o governo deve ceder em alguns vetos e apreciar os que são prioritários para serem mantidos — disse Randolfe à imprensa.
Conforme a Constituição, os vetos devem ser avaliados pelos parlamentares em sessão conjunta, sendo necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores para sua rejeição. O veto passa a trancar a pauta do Congresso quando não apreciado em 30 dias após o recebimento.
Na lista de vetos constam 16 propostas que foram completamente rejeitadas pelo Executivo após aprovação na Câmara e no Senado. A mais recente é o Projeto de Lei (PL) 2.816/2023 , que deu origem ao VET 40/2026 . A matéria, do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), instituía piso salarial para os zootecnistas. O texto estendia a essa categoria o mesmo piso salarial garantido a médicos veterinários, engenheiros, químicos, arquitetos e agrônomos.
O governo argumentou que “a proposição legislativa é inconstitucional e contraria o interesse público ao estabelecer piso salarial aos zootecnistas sem a apresentação de estimativa do impacto orçamentário-financeiro ou de declaração de adequação orçamentária e financeira".
Também foram integralmente vetadas pelo Executivo as seguintes propostas:
Na proposta da Lei Orçamentária deste ano ( VET 9/2026 ), foram vetados dois dispositivos que somavam quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares incluídas pelo Congresso no Orçamento.
No veto à LDO ( VET 51/2025 ), 4 dos 44 trechos vetados já foram derrubados pelos parlamentares na sessão conjunta de maio — entre eles, está o que possibilita a municípios de até 65 mil habitantes com pendências fiscais celebrar convênios com o governo federal e ter acesso a recursos de programas e emendas parlamentares. Os restantes ainda precisam ser analisados.
Também devem ser avaliados 10 dos 46 trechos vetados na regulamentação da reforma tributária ( VET 7/2025 ). Há ainda questões como VET 8/2026 , que trata do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), e o VET 23/2025 , sobre a operacionalização de crédito consignado por meio de sistemas ou plataformas digitais.
O VET 14/2023 , referente à Lei Geral do Esporte , é que o que tem maior número de dispositivos vetados. Apesar de 57 itens do veto já terem sido apreciados, ainda há outros 340 para análise dos congressistas.
O veto ao Estatuto do Pantanal ( VET 36/2025 ) também aguarda a deliberação sobre 41 dispositivos rejeitados pela Presidência da República. Entre os trechos vetados, estão regras de manejo do fogo e sugestão para uso de áreas desmatadas ilegalmente ou degradadas na implantação de novos empreendimentos, em detrimento da sua recuperação ambiental.
Os vetos presidenciais nos marcos regulatórios do setor elétrico e do transporte público coletivo urbano também devem ser analisados pelos parlamentares. Entre os trechos rejeitados no marco do setor elétrico ( VET 42/2025 ), está o que permite o ressarcimento por cortes de geração (curtailment), abrangendo todos os eventos de origem externa, independentemente da causa.
No VET 30/2026 , referente ao transporte público, estão dispositivos como o que obriga União, estados e municípios a custear gratuidades e descontos tarifários com recursos orçamentários, além da previsão de prazo de cinco anos para adequação das legislações locais.
Recém-sancionado como Lei 15.474 , o projeto de lei que autoriza uso de spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres ( PL 727/2016 ) teve 16 dispositivos vetados ( VET 39/2026 ). Entre os itens não acatados pelo Executivo, está o que permite a aquisição dos aerossóis por menores de 18 anos, mediante autorização expressa dos responsáveis.
Em vigor há pouco mais de um mês, a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação foi sancionada com veto a 32 trechos ( VET 33/2026 ). Alguns deles tratam de triagem educacional anual em massa e identificação precoce. Outro trecho rejeitado prevê a criação de um centro de referência em cada unidade da Federação.
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