A política de fomento à cultura de Campo Grande viabiliza mais uma opção de entretenimento acessível para a população. O espetáculo “Três Vírgula Quatro Graus na Escala Richter”, encenado pela companhia Ofit, realiza apresentações gratuitas nesta quinta-feira (6) e sexta-feira (7), às 19h, no palco do Teatro Prosa, no Sesc Horto.
A montagem teatral resulta diretamente do projeto P.E.S.S.O.A.S., financiado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro (FomTeatro), ligado à Fundação de Cultura de Campo Grande (Fundac). O direcionamento dos recursos públicos subsidiou a exibição da peça e a estruturação de oficinas que capacitaram e selecionaram novos atores para o mercado de trabalho cultural da cidade.
Escrita por Éder Rodrigues e dirigida por Nill Amaral, a dramaturgia expõe a complexidade das relações numa família forçada a lidar com decisões ocultas. O diretor da companhia aponta o impacto do investimento nos processos de capacitação preparatórios.
“Em março deste ano, iniciamos o workshop ‘A Expansão da Palavra em Cena’, que reuniu artistas numa investigação sobre o trabalho do ator e também serviu como espaço de seleção para parte do elenco. Para mim, o teatro constrói-se nesse trânsito entre pesquisa, aprendizagem e criação. É na sala de ensaio que as ideias são testadas, abandonadas e reinventadas”, explica Nill Amaral.

Profissionalização e palco
O suporte oferecido pelo edital transformou a trajetória de talentos locais. A atriz Jurema de Castro conquistou o papel da personagem Marta durante as dinâmicas gratuitas financiadas pelo programa.
“Eu sempre tive curiosidade em conhecer o método de trabalho do Nill. Quando fui selecionada, fiquei em choque. O processo tem sido uma loucura boa, completamente diferente de tudo o que vivi. Cada artista deixa uma aprendizagem, e encontrei nesse workshop um caminho para voltar ao teatro e fazer o que amo”, partilha Jurema.
A atriz Fernanda Almeida, intérprete da personagem Lana, também integrou o elenco via processo formativo e relata a evolução cénica adquirida. “Aprendemos a comunicar muito para além da palavra. O corpo, o gesto e a presença também contam a história. Mesmo quando não falamos, precisamos de continuar a acontecer diante do público”, define.
O guião propõe uma imersão íntima nos problemas não resolvidos do núcleo familiar. “Os tremores da trama são aqueles que acontecem quando deixamos de dizer o que precisa de ser dito. As relações acomodam-se, as distâncias aumentam e, quando reparamos, o tempo já revelou aquilo que tentamos esconder. É uma peça sobre a estranheza do lar e sobre tudo o que fingimos que continua vivo”, conclui o diretor Nill Amaral.
A população interessada em assistir à obra financiada pelo município deve reservar os bilhetes através da plataforma digital Sympla. A peça é recomendada para maiores de 12 anos.
Serviço
#PraTodosVerem: A imagem em destaque mostra uma cena do espetáculo
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