A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7/8) uma operação contra um esquema de desvio de recursos públicos da saúde que seriam destinados ao município de Bebedouro, no interior de SP. Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Catanduva, na região de Rio Preto, inclusive nas residências de investigados ligados ao Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi, organização social (OS) apontada como peça central do esquema.
Segundo a investigação, o grupo criminoso teria atuado em parceria com agentes públicos municipais, inclusive durante a gestão do ex-prefeito de Bebedouro, Fernando Galvão Moura.
A defesa do ex-prefeito afirmou que ele nega qualquer envolvimento e que irá se manifestar oficialmente nos autos. Ainda de acordo com os advogados, o nome de Moura foi citado apenas por ter exercido o cargo no período em que os desvios teriam ocorrido (leia a nota abaixo).
A OS Mahatma Gandhi, sediada em Catanduva, assumiu a gestão de unidades hospitalares em Bebedouro e, a partir disso, teria firmado contratos com empresas de fachada controladas por seus próprios dirigentes ou pessoas ligadas a eles. A estrutura contava com laranjas para ocultar os beneficiários reais e facilitar o desvio das verbas públicas.
Um dos contratos investigados é estimado em R$ 13,2 milhões. A operação foi autorizada pela Justiça Federal de Barretos, que também determinou o sequestro de bens e valores, além de buscas em imóveis residenciais e comerciais.
As condutas sob apuração envolvem crimes como peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa e fraudes em licitações.
Paralelamente, o Hospital Mahatma Gandhi também é alvo de outra investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, por delitos semelhantes de competência da Justiça estadual.
A reportagem segue tentando contato com os representantes legais da organização social.
Por meio de nota, a Prefeitura de Bebedouro informou que não responde a qualquer investigação. Leia na íntegra abaixo:
“A Prefeitura Municipal de Bebedouro, informa que não responde a qualquer investigação da Polícia Federal, e, que, não foi objeto das diligências policiais realizadas na manhã de hoje (07/08). Como não foi formalmente notificada e não faz parte do processo, apenas o que tem conhecimento é que os fatos investigados se referem a uma empresa que prestou serviços na Secretaria de Saúde, mas que já a alguns anos não possui qualquer vínculo com o município.
A Prefeitura Municipal de Bebedouro se coloca à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários.”
Por meio de nota, o escritório Galvão Moura Advocacia, que representa o ex-prefeito de Bebedouro, informou que o político não atua mais na empresa há mais de 10 anos. Leia na íntegra:
“O Escritório Galvão Moura Advocacia, vem informar que não tem qualquer relação com os fatos decorrentes de investigação sobre operação da policia federal, que segundo informações da própria policia, trata de procedimento relacionado a uma empresa que prestou serviços ao Hospital Municipal de Bebedouro quando o irmão Fernando foi Prefeito a cerca de 7 anos atrás. O ex-prefeito não trabalha no escritório ou mantém qualquer relação comercial a mais de 10 anos. Não tem conhecimento dos fatos e vai se manifestar quando tiver acesso aos dados do inquérito, fará sua defesa. Declara que foi Prefeito de Bebedouro em dois mandados, o ultimo finalizado a 5 anos, e que sempre pautou sua administração de forma correta.
Coloca-se a disposição para todos os esclarecimentos.
Carlos Luiz Galvão Moura Junior, advogado.”
(Matéria atualizada às 12h20 para inserir a nota do escritório Galvão Moura Advogacia).
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