O organizador do evento realizado no último sábado (21/2) na pista de arrancada de Rio Preto, localizada na zona norte da cidade, afirmou à reportagem do Gazeta que a atividade tinha autorizações da Prefeitura e que o acidente que resultou na morte do mecânico Jossimar de Jesus Souza, conhecido como “Baiano”, ocorreu após o encerramento do treino e fora da área autorizada.
Alberto Flores Gonzales Júnior, 43 anos, também mecânico e conhecido como “Tarjeta”, é o responsável pelo “3º Treino Livre de Arrancada”. Segundo ele, o evento era voltado exclusivamente para carros e não incluía motocicletas.
De acordo com Alberto, cerca de 2 mil pessoas participaram do encontro. A entrada custava R$ 10 ou a doação de um quilo de alimento não perecível por pessoa. Aproximadamente uma tonelada de alimentos foi arrecadada, além do valor em dinheiro, que, segundo o organizador, será revertido em alimentos para serem destinados a uma instituição de caridade do município.
Ele explicou que a pista de arrancada funciona em uma área cedida pela Prefeitura, mas ainda não foi oficialmente inaugurada porque a obra não foi totalmente concluída. Para a realização do evento, afirmou possuir ofício da Guarda Civil Municipal (GCM), autorização da Prefeitura e contrato de uso da área. Não há alvará formal, segundo ele, porque o espaço ainda não foi oficialmente lançado.
O projeto é uma inicitiva do vereador Bruno Moura (PRD) e do deputado estadual Itamar Borges (MDB).
“Eu apresentei estes documentos aos policiais que atenderam a ocorrência”, afirmou Tarjeta. Durante o evento, que ocorreu das 9h30 às 17h, havia ambulância de prontidão no local. A GCM realizou patrulhamento na região e acompanhou o início dos testes de arrancada.
Sobre o acidente que vitimou Baiano, Alberto afirmou que os equipamentos já estavam sendo desmontados e não havia mais público acompanhando.
“Infelizmente, foi uma atitude imprudente. Pelo vídeo que assistimos, dá para perceber que ele colocou na primeira marcha, esticou o acelerador, depois passou para a terceira e quarta marcha e seguiu acelerando até disparar. Isso gera uma velocidade imensa. Acredito que ele tenha chegado a cerca de 280 km/h no final da pista”, relatou.
O organizador disse que não presenciou o momento do impacto. “A gente só viu a poeira subindo no final. Outros motociclistas foram até lá e ele já estava morto.”
Alberto contou que conhecia Baiano, mas não era amigo próximo, pois ambos eram mecânicos e frequentavam os mesmos encontros automotivos. Segundo ele, o piloto teria sido alertado por outras pessoas para não sair em alta velocidade.
“Foi uma tragédia. Estamos todos tristes e solidários aos familiares e amigos”, afirmou.
Testemunhas informaram que a moto, uma BMW/ S1000 RR, não pertencia à vítima. Pessoas próximas, que preferiram não se identificar, relataram que Baiano teria ingerido bebida alcoólica naquele dia e enfrentava problemas pessoais, como a separação conjugal. Amigos também teriam notado sinais de depressão.
Praticante da modalidade amadora de arrancada há mais de dez anos, Alberto ressaltou que a modalidade esportiva é diferente de racha. Segundo ele, a arrancada segue regras específicas: uso obrigatório de capacete e vestimentas adequadas ao automobilismo, fiscalização por órgãos de trânsito, estrutura fechada e autorizada, extintores nos veículos, brigada de incêndio, pneus em boas condições, bandeja coletora sob o automóvel, reservatório de óleo e cronometragem das largadas.
“O objetivo é realizar, após o lançamento oficial da pista, um evento de arrancada formal, com pilotos especializados da cidade e região, e estrutura completa. Sempre foi o sonho dos amantes do esporte em Rio Preto ter uma pista própria e segura”, afirmou.
Ele também destacou que os encontros organizados por ele têm caráter solidário, com arrecadação de alimentos para instituições da cidade.
Apesar da proposta esportiva, a área tem sido alvo de críticas de moradores e comerciantes da região, que reclamam do barulho e da presença constante de motociclistas nos fins de semana, muitas vezes sem autorização.
“As motos são o câncer da pista”, declarou o organizador, ao afirmar que há encontros informais e disputas de velocidade fora do controle dos eventos oficiais. Ele defende fiscalização mais rigorosa para coibir práticas irregulares.
O Gazeta de Rio Preto questionou a Prefeitura Municipal sobre as condições de uso da pista, exigências formais, fiscalização no local e prazos para a conclusão da obra. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Jossimar de Jesus Souza, 39 anos, morreu após perder o controle da motocicleta e atingir uma cerca às margens da via. Guardas civis municipais foram acionados para prestar apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A vítima sofreu traumatismo cranioencefálico e parada cardiorrespiratória, tendo a morte constatada no local.
A Polícia Civil deve investigar as circunstâncias do acidente.
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