O encontro entre a culinária regional e a criatividade gastronômica resultou em um curso de fabricação de linguiça cuiabana artesanal, realizado durante três dias na Expogrande 2026, que termina neste domingo (19). A iniciativa reuniu usuários dos Cras Estrela Dalva e Jardim Aeroporto.
A ação foi fruto de uma parceria entre a Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS), por meio da Gerência de Ações de Trabalho e Renda (GTAC), e o Senai. O objetivo foi oferecer uma nova oportunidade de geração de renda, ensinando a produção de um alimento típico da região com um toque diferenciado, voltado ao empreendedorismo.
O curso chamou atenção pela proposta inovadora: em vez da tradicional carne moída, os participantes aprenderam a trabalhar com carne picada na faca e a incorporar ingredientes como queijo, beterraba, laranja e pimenta. Segundo o instrutor Lucas França Sepolini, essa combinação cria um produto com maior valor de mercado.
Mais do que ensinar receitas, a capacitação também focou na organização e no trabalho em equipe em uma cozinha profissional. O conteúdo foi dividido em três etapas, incluindo higiene, amolação de facas e preparo dos ingredientes.

“A gente dividiu tudo em equipe e eles trabalharam super bem. Eu falo para eles que a cozinha tem que ser aberta e fechada pela equipe, então todo mundo só saia quando estava tudo limpinho. Além da união no espaço de trabalho, mostramos para os alunos como ocorre a produção em larga escala, a fabricação industrial, além das estratégias de venda”, explicou o instrutor.
Lucas também incentivou a criatividade dos participantes: “A base é a carne e o tempero, mas o restante eles podem acrescentar produtos da época que têm em casa, como queijo e azeitona. É bem diversificado”, revelou.
Para muitos alunos, o curso abriu novas perspectivas. A dona de casa Jucilene Pereira Amario, que já trabalhou em açougues, viu na capacitação uma chance de empreender. “Eu gostei muito. O que me interessou em fazer esse curso foi porque essa linguiça é diferente, é com queijo. Nunca tinha visto linguiça com queijo e esses outros ingredientes diferentes. Eu já sabia fazer massa de linguiça, mas era moída e só com tempero comum”, contou.

Agora, ela pensa em ir além. “Meu projeto é tentar fazer cursos melhores para eu aprender mais”, frisou.
Já Angélica Jeniffer dos Santos teve o primeiro contato com esse tipo de produção e pretende investir na nova habilidade. “Nunca tive conhecimento sobre a produção de linguiça. O curso foi maravilhoso porque aprendemos muitas técnicas. Gostei muito das dicas sobre o uso das facas e pedras. Pretendo produzir para o consumo próprio e futuramente para vender”, afirmou.

Segundo o coordenador do Cras Estrela Dalva, Gilberto Gomes do Couto, a iniciativa busca promover transformação social por meio da qualificação profissional. “O foco principal é a transformação social através de uma capacitação técnica. Quem fez saiu capacitado para fazer essa linguiça caseira, artesanal e gourmetizada, valorizando a mão de obra e o mercado local. É uma oportunidade de geração de renda para que as famílias saiam da situação de vulnerabilidade e tenham esse horizonte para abrir o próprio negócio”, destacou.
De acordo com o instrutor, o retorno financeiro pode variar bastante. “Tudo depende dos ingredientes que a pessoa vai usar. A criatividade é quem vai impulsionar as vendas”, concluiu, ressaltando que o lucro pode chegar de 20% a 100%.
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