O endividamento das famílias brasileiras não dá sinais de redução em 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas no país saiu de 79,5% em janeiro para 81,6% em junho de 2026.
Esse retrato de 2026 chega poucos meses depois de a PrecPago, uma das líderes no setor de antecipação de precatórios no Brasil, concluir um mapeamento próprio da série histórica da PEIC, cobrindo o período de 2010 a 2025. A análise da empresa faz parte de seu núcleo de conteúdo e análises para parceiros do mercado de ativos judiciais, denominado InfoPrec.
Para viabilizar a comparação entre anos, a empresa organizou os dados mensais da CNC em uma média aritmética anual para melhor visualização dos dados em períodos cheios, somando os valores de cada mês e dividindo pelo número de meses (12), método usado para obter a tendência central do endividamento em cada ano completo. Como a PEIC é uma pesquisa por amostragem, os dados mensais originais possuem margem de erro de aproximadamente 2 a 3 pontos percentuais.
2010 - 2025: a série histórica de endividamento familiar
A análise da PrecPago identificou três fases distintas na saúde financeira das famílias brasileiras entre 2010 e 2025. Na primeira, de variação moderada (2010-2019), o endividamento oscilou entre 58,27% (piso, em 2012) e 63,63% (teto, em 2019), com crescimento lento e períodos de recuo. A segunda fase, de aceleração (2020-2022), teve como marco a pandemia de Covid-19: em apenas dois anos, o indicador saltou de 66,48% para 77,92%, a deterioração mais rápida de toda a série.
Já a terceira fase, de estabilização em crise (2022-2025), mostra o endividamento estagnado em patamar elevado, com médias anuais entre 77,88% e 78,16%, o equivalente a quatro em cada cinco famílias brasileiras endividadas.
Mesmo no ponto mais baixo de toda a série (58,27%, em 2012), o país nunca teve menos da metade das famílias endividadas, indicando que o endividamento é uma condição estrutural da economia familiar brasileira, e não um fenômeno passageiro.
A análise aponta ainda que, apesar do salto no percentual de famílias endividadas após 2020, a parcela média da renda comprometida com dívidas se manteve estável, oscilando entre 29,43% e 30,67% ao longo dos 15 anos analisados, ou seja, mais famílias passaram a se endividar, mas o comprometimento médio de renda de cada uma seguiu praticamente inalterado.
2026
Como 2025 foi o último ano completo no momento em que a PrecPago fez seu levantamento, os dados parciais de 2026 da PEIC, já que o ano ainda está em curso, são acompanhados separadamente, mês a mês, sem o cálculo de média anual usado no recorte histórico.
Até junho, o indicador subiu de forma praticamente ininterrupta: 79,5% em janeiro, 80,2% em fevereiro, 80,4% em março, 80,9% em abril e 81,6% em maio e junho. A parcela média da renda comprometida com dívidas, por sua vez, seguiu dentro da mesma faixa histórica identificada na análise, marcando 29,3% em junho de 2026.
Para a empresa, o monitoramento contínuo de dados como esses, e o aprofundamento em análises com períodos amplos, cumpre o importante papel de analisar e registrar o tamanho do desafio econômico enfrentado pela sociedade.
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