O Partido Democrata conquistou, na madrugada desta quarta-feira (4), a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado é uma derrota para o presidente republicano Donald Trump nas eleições legislativas de meio de mandato, as chamadas midterms, realizadas na terça-feira (3).
No Senado, os democratas mantiveram suas cadeiras e avançaram sobre vagas historicamente republicanas. Foram 20 senadores eleitos, sete deles de virada, o que levou o partido a 54 das 100 cadeiras, segundo a última atualização da reportagem original. A maioria exige 51. Os republicanos somavam 44, e duas vagas ainda aguardavam resultado.
Na Câmara, os democratas viraram 25 cadeiras que estavam com os republicanos, em distritos de mais de 10 estados. Na última atualização, o partido tinha 237 assentos, contra 139 dos republicanos, e 59 disputas seguiam sem resultado. Para ter a maioria absoluta na Casa, são necessárias 218 das 435 cadeiras, que são todas renovadas a cada dois anos.
O novo cenário deve mudar o equilíbrio de poder em Washington, já que o partido de Trump perdeu o controle das duas casas.
Trump diz que aceita o resultado
Após a confirmação do controle democrata, Trump disse ao jornal “The New York Times” estar disposto a governar com a oposição. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou. Segundo ele, o governo deve buscar acordos com os democratas. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, declarou.
Dias antes, o presidente havia dito que só reconheceria o resultado se as eleições “fossem limpas”.
Promessa de vetos
Depois dos primeiros resultados desfavoráveis ao seu partido, Trump publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”. Dias antes, ele já havia indicado como agiria diante de uma vitória democrata. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, disse ao podcast “Pod Force One”, do “New York Post”.
Segundo ele, o Congresso enviará propostas, e ele as vetará. “E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, afirmou.
Vitórias em estados conservadores
Os democratas venceram em dois dos estados mais conservadores do país. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton. Na Carolina do Sul, Annie Andrews superou Darline Graham. Os dois resultados colocaram em xeque o controle republicano do Senado.
Trump havia apoiado Paxton, procurador-geral do Texas envolvido em diversos escândalos, contra o senador John Cornyn nas primárias republicanas. Cornyn e lideranças nacionais do partido alertaram que Paxton teria dificuldades na eleição geral, o que poderia custar dezenas de milhões de dólares ao partido e o controle unificado do poder em Washington.
Na Carolina do Sul, Trump apoiou Darline Graham, apesar de questionamentos dentro do próprio partido sobre sua experiência. Ela disputava a cadeira antes ocupada pelo irmão, Lindsey Graham, após a morte inesperada dele.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, em outro estado de tendência republicana. Trump visitou o estado várias vezes para fazer campanha por Husted.
Os democratas também viraram uma cadeira na Carolina do Norte e mantiveram vagas disputadas em New Hampshire e na Geórgia. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o deputado Mike Collins, o que impediu os republicanos de conquistar uma cadeira vista como uma de suas principais oportunidades. Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e vai substituir a democrata Jeanne Shaheen, que se aposenta.
Outros senadores democratas foram reeleitos com facilidade, como Cory Booker (Nova Jersey), Ed Markey (Massachusetts) e John Hickenlooper (Colorado). Juliana Stratton foi eleita para a vaga de Dick Durbin.
Como funcionam as midterms
Diferentemente do Brasil, o Congresso americano é renovado parcialmente a cada dois anos. As eleições no meio do mandato presidencial são chamadas de midterms. Os deputados têm mandatos de dois anos, e os senadores, de seis. Por isso, a cada dois anos são renovados toda a Câmara e cerca de um terço do Senado. Neste ano, estavam em disputa as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
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