Um caso grave de supostos maus-tratos contra crianças com necessidades especiais está sendo investigado em Turiúba, no interior de São Paulo. Funcionárias e a diretora da Escola Municipal Comecinho de Vida foram denunciadas à Polícia Civil após áudios indicarem possíveis agressões verbais e físicas contra alunos atendidos na unidade.
A denúncia veio à tona depois que a mãe de uma menina de quatro anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno Opositor Desafiador, decidiu colocar um gravador na mochila da filha. Segundo ela, a medida foi tomada após perceber mudanças no comportamento da criança, que passou a demonstrar resistência frequente em ir para a escola.
Os registros obtidos revelariam situações preocupantes envolvendo o tratamento dispensado às crianças. Em um dos áudios, uma mulher faz referência a arrancar o braço de um aluno utilizando uma tesoura. Em outro trecho, uma servidora orienta uma professora sobre como lidar com estudantes considerados especiais, afirmando que seria necessário empregar mais força física e firmeza na voz.
Também foram identificadas conversas que mencionam possíveis agressões contra uma criança com TEA e orientações para que um aluno revidasse agressões praticadas por uma colega.
Após a denúncia, outras mães procuraram a Polícia Civil relatando situações semelhantes. Uma delas informou que retirou o filho da instituição após a criança retornar para casa com um hematoma, sem explicação convincente sobre a origem da lesão.
Até o momento, 19 pessoas já foram ouvidas durante as investigações, entre elas 14 mães, uma funcionária da unidade e as quatro servidoras investigadas. Os áudios recolhidos serão submetidos à análise técnica antes da conclusão do inquérito policial.
Em nota, a Prefeitura Municipal de Turiúba informou que afastou preventivamente as servidoras citadas e instaurou uma sindicância administrativa para apurar os fatos.
O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que ouviu a mãe denunciante, recolheu os áudios apresentados e solicitou informações à prefeitura e à Polícia Civil.
As investigações seguem em andamento e as autoridades ainda apuram a extensão dos fatos e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
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